André Dusek/Estadão
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Cardozo rebate Janot e diz não haver indícios contra direção da Petrobrás

Após procurador-geral da República sugerir mudanças no atual comando da estatal em razão das denúncias de desvios, ministro da Justiça sai em defesa de Graça Foster

Erich Decat e Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

09 de dezembro de 2014 | 16h14

Brasília - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, rebateu nesta terça-feira, 9, declarações feitas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que defendeu a saída da atual direção da Petrobrás, em razão das denúncias de irregularidades ocorridas no âmbito da Operação Lava Jato.

O posicionamento do procurador-geral ocorreu horas antes, em evento em que o ministro da Justiça também esteve presente. Na ocasião, Cardozo usou um tom mais ameno e afirmou que via "fortes indícios" de corrupção na Petrobrás e que governo seria firme com punições. Ele, no entanto, não foi explícito em relação à permanência da direção da estatal.

A reação mais dura de Cardozo ocorreu após ele "conversar" com integrantes da Petrobrás, ocasião em que pegou mais informações. Ele admitiu que também conversou com a presidente Dilma Rousseff antes da coletiva mas que o assunto teria sido outro.

"O governo tem uma posição muito clara sobre isso. Nós afirmamos e reafirmamos que não existem quaisquer indícios ou suspeitas que recaem sobre a pessoa da atual presidente Graça Foster e da atual direção", disse Cardozo em coletiva realizada no Ministério da Justiça. "A posição do governo é que não há razão para que os atuais diretores sejam afastados. Não estou dando um recado, mas uma posição do governo a partir de uma sugestão do procurador-geral da República. Estou dizendo que não há indício contra a atual diretoria", acrescentou o ministro. Cardozo ressaltou por várias vezes que a direção da estatal tem colaborado com as investigações sobre possíveis irregularidades.

"A Petrobrás é uma das principais interessadas que tudo seja esclarecido. Todas as medidas vêm sendo tomadas pela diretoria da Petrobrás. Antes das denúncias, ela deu início ao programa de prevenção de corrupção. Após a eclosão das denúncia, a Petrobrás criou a diretoria de compliance. Além disso, o comitê de investimento foi reformulado para ter uma atuação melhor", citou Cardozo.

Ele também lembrou que cada uma das denúncias oferecidas pelo Ministério Público Federal e pela Justiça Federal ensejou uma nova investigação interna na Petrobrás que são conduzidas por dois escritórios de advocacia especializados, um brasileiro e outro norte-americano.

 

Ele disse ainda que foi informado pelos integrantes da estatal que nesta sexta-feira será anunciado o nome do diretor que assumirá o setor de

 

 

compliance da Petrobrás.

Ressarcimento. Cardozo comunicou ainda que a estatal designou uma equipe de servidores para analisar a melhor maneira para recuperar os recursos desviados, que podem chegar a ordem de R$ 10 bilhões.

"Uma vez comprovado que recursos foram desviados, a Petrobrás já terá a autorização da sua diretoria para que o seu jurídico tome as medidas corretas para ressarcir os cofres da estatal", assegurou.

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