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UESLEI MARCELINO|REUTERS
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À OAB, Cardozo diz que delação de Delcídio é 'mentirosa' e 'ato de vingança'

O advogado-geral da União enviou um ofício à entidade no qual se colocou à disposição para falar em nome da presidente Dilma durante sessão que decide se advogados apoiarão o pedido de impeachment ou não

Gustavo Aguiar, BRASÍLIA

18 de março de 2016 | 13h13

Brasília -  O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, chamou de “mentirosa” e “puro ato de vingança” a delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS) ao defender a presidente Dilma Rousseff na sessão desta sexta-feira, 18, em que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) decide se vai apoiar o pedido de impeachment. Cardozo também afirmou que a divulgação das escutas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva envolvendo Dilma é ilegal.

“Se a ordem apoiar o pedido contra a presidente com base nesta delação, deverá pedir, por coerência, a cassação de todos os parlamentares citados pelo senador (Delcídio). Inclusive do líder do maior partido de oposição, o senador Aécio Neves, do PSDB”, argumentou Cardozo. “Não se pode tomar como prova as palavras de um simples réu preso e dar credibilidade a falas que estarreceram a sociedade para tomar uma decisão que pode abalar o País”, alegou. Segundo ele, todos deverão ser investigados, mas não pré-julgados.

A Advocacia-Geral da União (AGU) estuda as medidas que deve tomar contra a divulgação dos áudios pelo juiz Sérgio Moro, em que Dilma aparece avisando a Lula que irá enviar um termo de posse como ministro da Casa Civil “em caso de necessidade”. Os dois casos ensejam o relatório do conselheiro Érick Venâncio, do Acre, para que a OAB apoie o pedido de impeachment de Dilma.

Cardozo enviou um pedido a Lamachia para falar em defesa de Dilma depois de saber do teor do relatório desfavorável à presidente. Ele teve 15 minutos para se pronunciar e, ao fim do tempo, pediu mais 15 minutos. A solicitação negada pelo presidente da OAB, Claudio Lamachia. “Estou seguindo ordens”, disse Lamachia.

Alguns dos presentes protestaram: “É melhor que demos mais tempo para depois não dizerem que a OAB não garantiu o direito a defesa e cortou a palavra de um advogado”, disse um dos membros do conselho. “Apenas o governo está se manifestando, a sociedade, não” alegou outro. A leitura do relatório da ordem em apoio ao impeachment durou duas horas.

O relatório do conselheiro Venâncio será discutido e precisará ser votado. Depois das manifestações dos advogados, as 27 bancadas da Ordem, representando os estados brasileiros e o Distrito Federal, deverão votar se apoiam ou não o impeachment de Dilma. As seccionais de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás, Amazonas e Piauí já confirmaram o apoio à cassação do mandato da presidente.

 

 

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