Cardozo nega que PF tenha feito 'vazamento seletivo' do caso Cachoeira

Diálogos também sinalizam influência da Delta Construções no governo petista de Agnelo Queiroz

Rafael Moraes Moura, da Agência Estado,

12 de abril de 2012 | 17h16

BRASÍLIA - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, rebateu nesta quinta-feira, 12, as críticas da oposição de que estaria havendo "vazamento seletivo" de informações sobre o caso Cachoeira, de forma a proteger políticos alinhados ao governo. "Os que acreditam que os vazamentos (da Operação Monte Carlo) visavam prejudicar membros da oposição seguramente agora vão ter de repensar melhor as críticas que fazem", disse Cardozo, ao ser questionado sobre diálogos interceptados pela Polícia Federal na operação Monte Carlo.

Os diálogos da operação Monte Carlo sinalizam influência da Delta Construções no governo de Agnelo Queiroz (PT), em busca de facilidades em contratos e nomeações na administração do Distrito Federal. Os diálogos sugerem ainda uma relação de proximidade entre Cachoeira e o dono da Delta, Fernando Cavendish. A Polícia Federal é vinculada ao Ministério da Justiça.

Entre os dados tornados públicos pela Operação Monte Carlo estão conversas do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e de outros parlamentares que apontam ligações com o contraventor Carlinhos Cachoeira. Conforme informado nesta quinta pelo jornal O Estado de S.Paulo, em outras conversas gravadas pela operação, aliados do contraventor revelam que a diretoria da Delta Construções no Rio de Janeiro "cobrava a fatura" de doações eleitorais ao pressionar o Palácio do Buriti por nomeações e liberação de verba.

"Não houve da parte da PF nenhum tipo de vazamento. E os que acreditam que os vazamentos visavam prejudicar membros da oposição seguramente agora vão ter de repensar melhor as críticas que fazem a esse órgão da Polícia Federal, que tem atuado com correção, lisura e cumprido o seu papel", afirmou Cardozo.

Questionado se o conteúdo das ligações não comprometia o governador Agnelo Queiroz, Cardozo respondeu: "Não posso avaliar isso. Quem vai avaliar os fatos e aplicar sanções é o Poder Judiciário. E do ponto de vista ético, o Congresso Nacional ou outros órgãos legislativos. Da minha parte, afirmo que a Polícia Federal cumpriu rigorosamente as determinações judiciais e colocou os fatos para serem valorados", afirmou Cardozo.

O ministro da Justiça voltou a defender que "não houve por parte da Polícia Federal nenhum procedimento ilegal". "O que importa é que vamos cumprir o nosso papel e a Polícia Federal tem cumprido o seu papel à risca. A forma pelo qual o Congresso vai se posicionar é um problema do Congresso", disse Cardozo, ao comentar a CPI para apurar as ligações políticas do contraventor.

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