Cardozo nega motivação política em denúncia de cartel

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, rebateu nesta quarta-feira, 26, as acusações feitas mais cedo pelo PSDB. Pela manhã, em entrevista coletiva, o partido o acusou de instrumentalizar a Polícia Federal e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para envolver políticos do PSDB em denúncias de corrupção no caso do cartel do metrô em São Paulo.

ANDREZA MATAIS, Agência Estado

26 de novembro de 2013 | 17h58

"Quero lamentar uma tentativa de transformar a investigação em disputa política e eleitoral. Não existe nada que possa mostrar perseguição", afirmou Cardozo, durante entrevista coletiva, ao lado do diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, e o presidente do Cade, Vinícius Carvalho.

O ministro relatou que, em maio, recebeu em sua casa, em São Paulo, o deputado estadual Simão Pedro (PT), que lhe entregou um conjunto de informações que continha as denúncias de envolvimento dos tucanos em uma empresa de consultoria que intermediaria o esquema do cartel. Esse encontro teria ocorrido em um domingo, provavelmente no dia 12 de maio.

Segundo Cardozo, ele, por dever de ofício, entregou pessoalmente as informações, já no início daquela semana, para o diretor da Polícia Federal examinar. Ele disse que pediu "o máximo de cautela" na análise dos documentos porque "tinha amigos pessoais, pessoas que respeita" citadas e não gostaria de ter riscos de vazamento das informações. Por essa razão, ele disse que preferiu entregar os documentos em mãos para Daiello para que não houvesse vazamento durante a tramitação do ministério para a Polícia Federal.

Ao analisar o material, conforme o ministro, a Polícia Federal relacionou uma outra investigação, aberta desde 2008. Por essa razão, o documento foi anexado no inquérito. O ministro afirmou que não há, até o momento, nenhum indício de pessoas com foro privilegiado envolvidas em irregularidades.

Em resposta ao presidente do PSDB, Aécio Neves (MG), que pediu nesta terça-feira o seu afastamento da chefia da investigação sobre o caso Siemens, o ministro afirmou: "o ministério da Justiça nem coordena nem chefia nenhuma investigação. Quem faz isso é o delegado de polícia".

Com relação ao fato de o documento que entregou a Daiello ser anônimo, o ministro afirmou que há divergências com relação ao entendimento sobre se iniciar investigações a partir de um carta anônima e que ele se sentiu no dever moral de pedir investigação da denúncia.

Cardozo também saiu em defesa do Cade e da PF. "Reputo inaceitável a afirmação de que instituições como o Cade e a PF são instrumentalizadas. É ofensivo. É triste ver órgãos respeitados chamados de aparelhos políticos. Aqueles que acham que denúncias devem ser rasgadas, não sabem que acabou o tempo do engavetador".

Pela manhã, o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), afirmou que, por se tratar de um documento apócrifo, o ministro deveria ter chamado os assessores, ter dado risadas e rasgado os papéis.

Ontem, o ministro Cardozo reuniu-se com a presidente Dilma Rousseff para discutir a polêmica envolvendo as denúncias de cartel.

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