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Cardozo e Dino tiveram papel decisivo; Maranhão levou em conta interesses locais

Governador do MA intermediou uma conversa entre o ministro-chefe da AGU e o deputado na sexta-feira, 6, em Brasília

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2016 | 15h58

BRASÍLIA - A decisão do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), de suspender as sessões que aprovaram o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff foi amadurecida desde a quinta-feira, 5, quando Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi afastado do cargo pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e consolidada no sábado, um dia antes de o deputado voltar a Brasília.

O governador do Maranhão, Flavio Dino (PC do B), e o ministro-chefe da Advocacia Geral da União (AGU), José Eduardo Cardozo, tiveram papel decisivo no processo de convencimento do deputado.

Dino, de quem Maranhão é aliado, intermediou uma conversa entre Cardozo e o deputado na sexta-feira, 6, em Brasília. O governador e o ministro têm relação próxima desde que legislaram juntos na Câmara.

Juiz federal, Flavio Dino também ajudou a convencer Maranhão de que a argumentação jurídica do pedido feito pela AGU era sólido.

No sábado, um dia antes de viajarem juntos para Brasília em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), o deputado e o governador tiveram um encontro em São Luís. Ali, Maranhão deu sinais de que acataria o pedido de suspensão das sessões e ofereceu uma carona a Dino, que tinha uma reunião marcada para a manhã desta segunda-feira, 9 com integrantes da representação do governo maranhense na Capital.

Ao chegarem a Brasília no domingo à noite, Maranhão e o governador foram para um jantar na casa do deputado Silvio Costa (PT do B-PE), vice-líder do governo, onde o assunto foi tratado.

Motivações. Segundo fontes que acompanharam as negociações, Waldir Maranhão levou em conta aspectos da política local maranhense para chegar à decisão.

Um deles é a proximidade com Flavio Dino e a possibilidade de ser candidato a senador na chapa do comunista nas eleições de 2018. Dino venceu a eleição de 2014 no primeiro turno, colocando fim a décadas de mando da família Sarney no Estado, e tem grandes chances de ser reeleito daqui a dois anos. Outro é a decisão do PP de afastá-lo da presidência do partido no Estado.

Além disso, o presidente interino da Câmara recebeu relatórios de pesquisas locais mostrando que aumentou a parcela do eleitorado maranhense contrária ao impeachment de Dilma. Uma campanha lançada no Facebook pedindo que o deputado anulasse as sessões teve forte adesão no Estado. Ao contrário de São Paulo e outros locais, onde os deputados favoráveis à presidente foram hostilizados, Maranhão foi ovacionado por militantes ao retornar ao seu Estado natal depois de votar contra o afastamento de Dilma, duas semanas atrás.

Por fim, segundo fontes que acompanharam o processo, Maranhão ficou profundamente incomodado com perfis publicados pela imprensa e declarações de aliados do vice-presidente Michel Temer que o trataram como um político desqualificado, fraco, sujeito a pressões, comparado a Severino Cavalcante, e foi convencido de que tinha nas mãos uma oportunidade única de deixar sua marca na história do Brasil. 

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