Cardozo diz que está tranquilo após pedido de comissão

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse nesta segunda-feira, 09, estar "absolutamente tranquilo" em relação ao pedido de informações sobre a investigação do cartel de trens e de metrô em São Paulo, encaminhado a ele pela Comissão de Ética da Presidência da República. "Quem cumpre a lei seguramente não age de forma antiética", afirmou Cardozo. "É correto, legal e normal o procedimento da Comissão de Ética da Presidência ao requerer informações."

VERA ROSA, Agência Estado

09 Dezembro 2013 | 19h08

O PSDB acusa Cardozo de usar o cargo para determinar uma "investigação seletiva", com o objetivo de perseguir adversários políticos tucanos e abafar os desdobramentos do escândalo do mensalão, que atinge o PT.

Para o deputado Carlos Sampaio (SP), líder do PSDB na Câmara, o ministro mirou as eleições de 2014 quando pediu investigação à Polícia Federal - e não à Procuradoria Geral da República - sobre denúncias de corrupção envolvendo cartel de trens e de Metrô em governos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, todos do PSDB.

"O ministro da Justiça não pode ser um engavetador geral de denúncia. Se fosse assim, seria um prevaricador geral", rebateu Cardozo. "Quem quer criar uma polêmica eleitoral para tirar o foco das investigações não vai nos intimidar."

O Estado de S. Paulo revelou nesta segunda-feira que a Justiça Eleitoral barrou estratégia do presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Vinícius de Carvalho, que pleiteava o reconhecimento retroativo de sua desfiliação do PT para a data de 16 de maio de 2008. Ao requerer a retroatividade, Carvalho pretendia evitar questionamentos sobre a legitimidade do exercício de seu mandato no Cade, cadeira que ocupa desde 30 de maio de 2012.

"Ele não cometeu nenhuma prática ilegal", disse Cardozo. Em maio, o Cade fez acordo de leniência com executivos da multinacional alemã Siemens, entre eles Everton Rheinheimer, que revelou cartel no sistema de trens e Metrô em São Paulo. O acordo de leniência é semelhante à delação premiada, no qual o denunciante tem a possibilidade de reduzir sua pena, em troca da colaboração com autoridades.

Cardozo afirmou que os documentos com a denúncia sobre o esquema de corrupção foram entregues a ele pelo deputado licenciado Simão Pedro (PT), hoje secretário de Serviços da Prefeitura de São Paulo. Vinícius de Carvalho, o presidente do Cade, trabalhou no gabinete de Simão Pedro na Assembleia Legislativa, mas omitiu esse fato de seu currículo, como revelou o Estado de S. Paulo em setembro. "Foi um lapso", disse ele à época. O gesto lhe custou uma advertência da Comissão de Ética da Presidência.

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