André Dusek/Estadão
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Cardozo diz que defesa de Dilma pode ir ao Supremo, mas antes quer investir no Senado

O ex-advogado-geral da União, responsável pela defesa da presidente afastada no processo de impeachment, afirmou que não quer que o País tenha a pecha de que o STF corrigiu o que fez o parlamento

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2016 | 17h27

BRASÍLIA - O ex-advogado-geral da União José Eduardo Cardozo, responsável pela defesa da presidente afastada Dilma Rousseff no processo de impeachment, afirmou nesta quinta-feira, 30, que, caso ela seja derrotada no Senado, é possível que a defesa da petista recorra ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas destacou que ainda quer investir para convencer os senadores de que não há base jurídica para o afastamento de Dilma. "Se houver algum momento que não acreditarmos que não seja feito um julgamento justo nós vamos ao Judiciário", disse, em coletiva de imprensa no Palácio da Alvorada.

Cardozo disse ainda que não quer que o País tenha a pecha de que o Supremo corrigiu o que fez o parlamento e disse confiar no Congresso Nacional. "Eu prefiro investir poder legislativo, não quero um poder invalide o que o outro ainda não teve como fazer", disse. "Eu confio no parlamento, não creio que deva ser o Judiciário que barre esse 'golpe'", completou. 

Ele rechaçou ainda que esteja "numa luta perdida". "Quando se luta pela causa certa nunca se perde a causa antes da hora. Eu acredito no meu país e na democracia. Só se joga a toalha no momento em que se perde", disse. 

O ex-advogado-geral da União afirmou ainda que há provas consistentes de que a presidente não cometer crimes de responsabilidade fiscal e destacou que em todos os depoimentos prestados no Senado, seja de acusação ou de defesa, "caracterizaram a inocência de Dilma". "Nenhuma discrepou, todas falaram as mesmas coisas, por incrível que pareça", disse. 

Cardozo afirmou que ainda terá uma conversa com Dilma para definir se ela irá ou não pessoalmente ao Senado para se defender. "Só após o laudo complementar da perícia é que vamos avaliar", afirmou. 

Para Cardozo, além do "claro desvio de poder" do processo aberto inicialmente pelo então presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) "por vingança", o impeachment se mostrou ainda mais contaminado com a divulgação dos áudios gravados com peemedebistas. A defesa da petista espera uma posição do STF para juntar as conversas do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, com peemedebsitas no processo. 

Cardozo disse que não caberá a ele fazer as tratativas políticas para tentar convencer os senadores a votarem a favor de Dilma. "A parte política deixo encarregada para quem quer cuidar dela", disse. Ele ressaltou que sabe que "alguns senadores podem estar contaminados e querem o golpe". "Não vou nominar, mas a grande maioria dos senadores tem razoabilidade como parâmetro."

 Provas. O advogado de Dilma comentou ainda o resultado da perícia feita a pedido da defesa e disse que ela "até surpreendeu favoravelmente em vários aspectos". "A perícia não afirma se há crime ou se não há", disse. "Eu deduzo da perícia que está claro que está descaracterizado o dolo", disse. Segundo ele, a perícia descaracteriza as pedaladas porque "não houve ato", já que Dilma não era responsável pelas decisões da Fazenda, e que no caso dos decretos "não houve dolo". 

O ex-ministro afirmou estar seguro de que as provas levantadas pela defesa estão consistentes, disse que juntou aos atos declarações da atual líder do governo do presidente em exercício Michel Temer, senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), que tanto no Plenário do Senado quanto em entrevista afirmou que não acreditava na tese de que as pedaladas eram responsáveis pelo processo de impeachment. Segundo o ministro, as falas de Rose já foram incluídas pelo relator da Comissão de Especial de Impeachment. 

No final da coletiva de imprensa, Cardozo brincou dizendo que poderia continuar a atender para sanar dúvidas de jornalistas com tranquilidade. "Sou desempregado, com uma cliente só." Dando continuidade em sua estratégia para defender o seu mandato, nesta quinta-feira, Dilma está em Belém (PA).

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