Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Cardozo diz que apenas cumpriu seu papel

Ministro diz que adotou procedimento padrão ao enviar para a Polícia Federal documentos recebidos de deputado sobre cartel de trens

Fausto Macedo e Ricardo Chapola, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2013 | 22h04

O ministro José Eduardo Martins Cardozo (Justiça) disse hoje que simplesmente cumpriu o seu papel e dever ao encaminhar para a Polícia Federal relatório que apontava suposto esquema de corrupção envolvendo políticos tucanos em cartel no setor metroferroviário de governos do PSDB em São Paulo, entre 1998 e 2008. Cardozo disse que o relatório, acompanhado de documentos, lhe foi entregue pelo deputado licenciado Simão Pedro (PT), secretário municipal de Serviços da gestão Fernando Haddad (PT).

O relatório não estava assinado, diz o ministro. O Estado identificou Everton Rheinhemer, ex-executivo da Siemens, como autor do documento. Ele fez delação premiada na Polícia Federal e na promotoria estadual – em troca do perdão judicial, conta o que diz saber sobre conluio de multinacionais e propinas para agentes públicos.

"Em junho, aproximadamente, o Simão me procurou e entregou essa documentação com o relatório e pediu-me que encaminhasse à PF. Ali tinha uma característica: era um relatório minucioso em alguns aspectos, acompanhado de cópias de documentos. Adotei o procedimento padrão. Mandei para a PF examinar a plausibilidade."

Cardozo disse que, nesses casos, a PF faz uma análise preliminar antes de decidir que procedimento deve seguir. Como a documentação fazia referência a propinas para políticos e também a cartel de trens – esta parte já sob investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) –, a PF em Brasília decidiu enviar a documentação com 16 apensos para a Superintendência Regional da PF em São Paulo, onde é conduzido inquérito sobre o caso.

"Creio que aí se deu uma confusão", diz o ministro. "O delegado (Bráulio Galloni, de Brasília) achou que os documentos eram oriundos do Cade e incluiu esta informação no ofício endereçado à PF em São Paulo. De fato, não foi o Vinícius (Carvalho, presidente do Cade) que fez o encaminhamento à PF. Eu tomei essa medida, porque é meu dever. Aí surgiu esse tiroteio. Se eu não faço isso, vão me acusar de prevaricação. Da mesma forma, se o Cade tivesse recebido (os papéis) também teria que mandar para a PF."

O ministro disse que recebeu o deputado petista em sua residência de São Paulo, em um fim de semana. "Ele disse que queria conversar comigo. O Simão é um cara muito correto, muito sério, me passou a documentação. Ele disse: ‘preciso que investigue, já há investigações em curso, representei ao Ministério Público Estadual, então estou entregando a você’".

Cardozo disse lamentar "que isso (o relatório) tenha vazado, porque pode atingir a imagem de pessoas que muitas vezes não tem nada com os fatos investigados". Ele afirmou que prontamente atenderá, "com o maior prazer", se for convidado para depor na Câmara.

"Quando a PF investiga algum adversário político, tido como adversário do governo, dizem que o ministro está instrumentalizando a PF para os desígnios governamentais. Mas quando a PF investiga aliados do governo, dizem que o ministro perdeu o controle da PF. Não há escapatória." / FAUSTO MACEDO e RICARDO CHAPOLA

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