Cardozo dispensa duas testemunhas de defesa; base de Temer quer pedir suspeição de mais uma

Senadores argumentavam que Esther Dweck foi contratada para trabalhar no gabinete da senadora Gleisi Hoffmann, que é parte da tropa de choque de Dilma; Ricardo Lodi deve ser ouvido como informante

Isabela Bonfim, Bernardo Caram e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

26 Agosto 2016 | 10h37

BRASÍLIA - O advogado de defesa da presidente Dilma Rousseff, o ex-ministro José Eduardo Cardozo, decidiu retirar duas das seis testemunhas que iriam depor durante o julgamento final do impeachment. 

Ele aproveitou o início da sessão desta sexta-feira, 26, para dizer que estava abrindo mão do depoimento da ex-secretária de Orçamento Federal Esther Dweck e pediu para que o professor da Uerj Ricardo Lodi fosse ouvido apenas como informante.

Cardozo argumento que não queria expor Esther à “vingança” dos senadores da base aliada do presidente Michel Temer, que teriam ficado irritados com o fato de Lewandowski ter impugnado uma das testemunhas de acusação. “Estou fazendo isso para preservá-la de ataques”, afirmou.

O pedido de suspeição de Esther, feito pelo senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), alegava que ela foi contratada para trabalhar no gabinete da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que é parte da tropa de choque de Dilma. O senador aogumentava que não haveria isenção por parte da depoente.

Já havia um pedido de suspeição em relação a Esther. A advogada de acusação, Janaina Paschoal, argumentou que era muito grave o fato de ela ter sido contratada para trabalhar no gabinete da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que é “uma das mais ferrenhas defensoras de Dilma”.

No caso de Lodi, a acusação era porque ele tem procuração para representar a presidente afastada e não poderia testemunhar.

Belluzzo. A base de Temer, no entanto, também pretende pedir ainda a suspeição de Luiz Gonzaga Belluzzo, considerado um especialista pelos senadores da base, que acreditam que ele não deve depor por não ter relação direta com os fatos.

Lewandowski já negou anteriormente o pedido de impugnação de duas testemunhas da defesa sob o argumento de que seriam especialista. O ministro preferiu mantê-las no rol de depoimentos. 

A defesa, contudo, minimizou a suspensão de suas testemunhas. "Nenhuma testemunha da defesa é tão fundamental como o procurador Julio Marcelo de Oliveira era para a acusação", disse o advogado de Dilma José Eduardo Cardozo, em referência à testemunha da acusação que foi tida como suspeita e depôs apenas como informante.

Na leitura da defesa, o primeiro dia de julgamento foi muito ruim para a acusação, que perdeu sua testemunha mais importante. 

As outras três testemunhas de defesa são o ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa, o ex-secretário executivo do Ministério da Educação no governo de Dilma Rousseff, Luiz Cláudio Costa, e o consultor jurídico Luiz Mascarenhas Prado.

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