Cardozo desqualifica depoimento de Valério

Segundo ministro, revelações do empresário foram feitas 'sem prova' e por alguém em situação de desespero

Vannildo Mendes, Agência Estado

12 de dezembro de 2012 | 13h26

BRASÍLIA - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, desqualificou nesta quarta-feira, 12, o depoimento dado ao Ministério Público Federal pelo publicitário Marcos Valério, que acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter dado "ok" a operações bancárias para financiamento da compra de apoio político no Congresso e de ter usado dinheiro do mensalão para custear despesas pessoais. A denúncia foi antecipada na última terça pelo Estado.

"Do ponto de vista jurídico, isoladamente, esse depoimento não tem nenhum significado", afirmou.

Segundo Cardozo, as revelações de Valério foram feitas "sem prova alguma", por alguém numa situação de desespero, após ser condenado a 40 anos de prisão no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF). "É uma peça produzida por uma pessoa processada e condenada a muitos anos de prisão. Foi feita exclusivamente na tentativa ou de tumultuar o processo, negociar a redução de sua pena", observou.

Ele deu as declarações após a solenidade de lançamento da Escola Nacional de Mediação e Conciliação, criada pelo governo federal em cooperação com o Poder Judiciário, para reduzir o volume de demandas que abarrota a Justiça e facilitar a solução negociada de conflitos entre as partes.

O ministro acusou a oposição de tirar proveito político da situação. "É natural que o debate se coloque por setores da oposição, que até agora não tem um discurso muito claro em relação a propostas para o País", disse. "Ao se utilizar disso, (a oposição) tenta exercitar sua retórica política, nada mais", observou.

Cardozo não vê razão para a Polícia Federal, de ofício, abrir inquérito com base nas declarações de Valério ao Ministério Público. "Foi um depoimento dado à Procuradoria-Geral da República. O que vai ser feito em relação a ele, só o Ministério Público, no momento apropriado, dirá", observou. "Só então será definido se é o caso de abrir um inquérito, ou se será feito o arquivamento", acrescentou.

Em reportagem, nesta quarta, o jornal O Estado de S.Paulo revelou outro trecho do depoimento de três horas e meia prestado por Valério à subprocuradora da República Cláudia Sampaio e à procuradora da República Raquel Branquinho. O operador do mensalão afirmou que dirigentes do Banco do Brasil estipularam, a partir de 2003, uma espécie de "pedágio" às agências de publicidade que prestavam serviços para a instituição.

Segundo Valério, 2% de todos os contratos eram enviados para o caixa do PT. Valério denunciou também que o dinheiro do esquema foi usado para pagar parlamentares do Congresso Nacional entre 2003 e 2005 e para bancar "despesas pessoais" do ex-presidente Lula. O dinheiro teria sido depositado na conta de uma empresa de Freud Godoy, que foi assessor pessoal de Lula. Para Cardozo, são informações sem prova e sem valor jurídico, porque visam apenas tumultuar o julgamento do mensalão no STF.

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