Dida Sampaio|Estadão
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Cardozo avalia que Lewandowski ainda pode aceitar incluir áudios de Machado na defesa de Dilma

Para o ex-advogado-geral da União, o ministro do STF nunca entrou no mérito da pertinência da matéria aos autos do processo, mas não deferiu o recurso por força do sigilo

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2016 | 15h10

BRASÍLIA - O ex-advogado-geral da União José Eduardo Cardozo acredita que ainda poderá incluir a delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, no processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff. Nesta terça-feira, 7, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, indeferiu recurso que pedia o aditamento das gravações de Machado com o senador Romero Jucá (PMDB-RR), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP).

Para Cardozo, Lewandowski não entrou no mérito da questão, apenas buscou manter o sigilo do processo, enquanto houver. "A decisão do presidente do STF vai na linha de não deferir o recurso por força do sigilo. Em nenhum momento, o presidente disse que a matéria não seria pertinente a estes autos", declarou Cardozo. "Assim sendo, essa questão poderá ser suscitada novamente a partir do momento em que, óbvio, o sigilo deixar de existir ou outra providência eventual possa ser requerida pela defesa", continuou.

Antes de decidir, nesta terça-feira, 7, Lewandowski consultou o relator da Operação Lava Jato no STF, o ministro Teori Zavascki. Teori afirmou, no entanto, que os elementos colhidos na delação estão resguardados por sigilo e, por isso, não podem ser anexados aos autos do impeachment no Senado.

No entendimento do relator Antonio Anastasia (PSDB-MG), que recusou pedir o compartilhamento das informações ao STF na semana passada, os áudios são "totalmente estranhos" ao objeto do processo. Já para a defesa de Dilma, as conversas entre Machado, Sarney e Renan seriam fundamentais para provar a tese de que houve desvio de finalidade no processo. Nas conversas, Jucá sugere que a saída da presidente Dilma resultaria em um pacto para conter o avanço da Lava Jato e livrar políticos de serem investigados.

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