Cardiologistas defendem cobertura de doenças arteriais

Cardiologistas latino-americanos reunidos no 2º Simpósio Internacional de Cardiologia Invasiva para Clínicos, em Curitiba, defenderam hoje a necessidade de as novas técnicas de tratamento da doença arterial coronariana serem cobertas por planos e pelos sistemas públicos de saúde. "Os sistemas de saúde da América Latina deveriam sentir a chegada de tecnologias não como uma notícia que vai custar dinheiro, mas como uma boa notícia que vai cuidar da saúde e do bem-estar das pessoas", diz o especialista colombiano Juan Jose Arango, da Fundación Valle del Lili, de Cali.Entre as técnicas mais eficazes está o "stent" (pequena espiral de metal ou tubo de malha que é colocado em uma artéria, ajudando a aumentar o fluxo sangüíneo do coração) com rapamicina, medicamento que ajuda a impedir novas obstruções. Segundo o diretor da Clínica Cardiológyca C.Constantini, Constantino Constantini, dos 66 "stents" com rapamicina implantados desde maio em sua clínica, não houve nenhum reentupimento. O mesmo resultado tem sido conseguido em outros 14 centros que participam de um trabalho mundial de análise.Com o stent normal, sem o medicamento, há, de acordo com Constantini, um retorno de cerca de 20% nos primeiros seis meses. "O stent com rapamicina é algo revolucionário", afirma. Ele admite que o índice de reentupimento com esse método pode chegar ao longo do tempo a até 5%. Uma das dificuldades do tratamento, no entanto, é o alto custo. Enquanto a implantação do "stent" normal custa cerca de R$ 3 mil e tem cobertura por planos de saúde, o acréscimo da rapamicina faz o preço pular para R$ 9 mil, sem qualquer cobertura. "Apesar de custar caro no início, ele se mantém em custos baixos depois, por não haver reincidência", diz Constantini."A diminuição no número de reincidência é tão grande que, sem dúvida, os países da América Latina deveriam adotar imediatamente como terapia", defende o médico colombiano Juan Jose Arango. "A preocupação com custos na América Latina é legítima, porque nossos recursos são limitados, mas na economia clínica há um princípio fundamental que diz que quando se tem pouco dinheiro deve-se gastar bem e, neste caso, é a utilização de uma terapia que proporciona menor retorno aos hospitais."

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