Cardeal pede um Brasil acima do interesse de partidos

Líder católico disse que situação do País é difícil do ponto de vista político e econômico, mas fez apelo pela esperança e pelo diálogo

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

05 Abril 2015 | 20h18

APARECIDA – O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal dom Raymundo Damasceno Assis, pediu um Brasil acima dos interesses dos partidos durante celebração da Páscoa, neste domingo (5), em Aparecida, interior de São Paulo. Numa alusão ao momento de disputas políticas vivido pelo País, ele disse que um Brasil melhor depende de diálogo e pediu que cada um renuncie um pouco. “Não podemos apenas acusar um ou outro, é importante que no diálogo encontremos pontos comuns através um consenso, que significa ter o bem do nosso País acima dos interesses pessoais e do interesse dos partidos.”

O líder católico reconheceu que a situação do País é difícil do ponto de vista político e econômico, mas fez um apelo pela esperança e pelo diálogo. “Só podemos superar este momento que estamos vivendo através do diálogo e do consenso. É necessário que cada um renuncie um pouco, aos seus interesses pessoais e de grupos, pensando como cidadão no bem comum e no bem do seu país.” O cardeal celebrou a missa da Páscoa no Santuário Nacional de Aparecida para cerca de 25 mil fiéis. Durante o dia todo, a previsão era de que 88 mil pessoas passassem pelo santuário.

Dom Raymundo usou a homilia para defender uma cultura de paz e de transformação na sociedade. “Não há festa mais importante para o cristão e para o católico do que a Páscoa. Acreditar em Cristo ressuscitado é acreditar na transformação desse nosso mundo para realizá-lo de acordo com os desígnios de Deus.” Ele alertou que a renovação “desse momento difícil” para uma sociedade melhor e mais justa depende do esforço de cada um. “Os brasileiros nunca podem perder a esperança de um Brasil também renovado e transformado pelo trabalho de cada para superar as crises e as dificuldades pelas quais estamos passando.”

Em entrevista à imprensa, o arcebispo evitou temas polêmicos, lembrando que a CNBB já se manifestou sobre as reformas políticas e as manifestações contra o governo da presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, a Campanha da Fraternidade deste ano, com o tema “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, fala do papel que a Igreja tem de desempenhar na sociedade, com respeito às instituições e à autonomia do Estado, em consonância com o pensamento do Papa Francisco.

Ele advertiu que a corrupção é uma forma de injustiça e a igreja não pode ficar alheia aos problemas do mundo de hoje. “A igreja é advogada da Justiça, aquela que procura ensinar, transmitir valores à luz do Evangelho, educar as pessoas também nas virtudes pessoais, individuais e políticas para que cada um assuma a sua responsabilidade também na vida pública.”

Referindo-se às diversas formas de violência que se fazem presentes no País, d. Raymundo pediu a construção de uma convivência que implique no respeito ao direito de cada um e no cumprimento do dever de cada um para com a sociedade. “A paz não pode ser obra só da polícia, nem só do Estado, mas se faz com o trabalho e o esforço de cada um. A paz deve ser construída por todos os brasileiros e deve começar no coração e na família para que se prolongue no bairro, no Estado e no Brasil afora."

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