Cardeal diz que FHC é inteligente e simpático

O cardeal Giovanni Battista Re, prefeito da Congregação para os Bispos e Presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina, iniciou hoje uma visita ao Brasil cercada de especulações sobre suas motivações. Oficialmente, o representante do Vaticano - um dos inúmeros candidatos à sucessão do papa João paulo II - foi convidado a prestigiar os 50 anos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a 40.ª assembléia-geral da entidade, que começa na quarta-feira, em Indaiatuba, São Paulo.Em seu primeiro dia em Brasília, o cardeal rezou uma missa especial pela inauguração da capela reformada da sede da CNBB e fez uma visita de cortesia ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Os dois conversaram por mais de meia no Palácio da Alvorada, e Re não escondeu seu encanto pelo presidente brasileiro. "É um homem muito simpático e muito inteligente", disse o representante do Vaticano, sorridente, ao chegar para um almoço na sede da CNBB. Hoje ele embarca para São Paulo, onde transmitirá uma mensagem especial do papa à assembléia dos bispos."Chegaram a dizer que o cardeal viria ao Brasil puxar a orelha dos bispos, mas não existe nada disso, ele foi convidado por nós há mais de um ano", afirma o secretário-geral da CNBB, dom Raymundo Damasceno Assis, referindo-se aos boatos de que o Vaticano não estaria de acordo com o engajamento em causas políticas por parte dos brasileiros e teria enviado um mensageiro.Para as eleições de 2002, por exemplo, a Conferência lançou um documento de orientação aos eleitores que ressalta as reformas sociais que, na visão dos bispos, um candidato deveria defender. Embora não indique partidos nem candidatos de preferência, a CNBB tem uma plataforma mais identificada com as siglas de esquerda. Até mesmo a contestação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) passou a fazer parte da cartilha da Igreja."Queremos que esse assunto seja discutido com a sociedade", tem dito o presidente da CNBB, dom Jayme Chemello. "Um bispo, que é um pastor, não pode ver o mundo apenas comercialmente, não pode ficar neutro."A crescente influência política da entidade e suas posições críticas ao governo já provocaram até mesmo articulações do Palácio do Planalto em busca de um canal de "diálogo". Em março, por exemplo, o então secretário-geral da Presidência da República, senador Arthur Virgílio (PSDB), se reuniu com a cúpula da CNBB para abrir esse diálogo, mas as conversas não evoluíram a partir de seu afastamento do ministério.De acordo com dom Damasceno, a CNBB está aberta a discutir com todos os setores da sociedade mas continuará se posicionando politicamente com eqüidistância dos partidos. A entidade, lembra o bispo, é contra a participação dos membros da Igreja como candidatos nas eleições, mas não tem em vista nenhuma medida para evitar a crescente filiação de sacerdotes a siglas partidárias.

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