Carajás é lembrado com violência e homenagens pela MST

Cerca de 2 mil pessoas participaram no final da tarde desta segunda-feira de um ato político na Rodovia PA-150, em Eldorado dos Carajás, durante o qual homenagearam os 19 trabalhadores rurais chacinados pela Polícia Militar no dia 17 de abril de 1996 e protestaram contra a falta de punição dos responsáveis pelo crime. A data, porém, foi lembrada com invasões, saques, marchas e até doação de sangue em 9 Estados.Às 17h15, Em Eldorado dos Carajás, como vinham fazendo desde o dia 1.º, os sem-terra interromperam o trânsito na rodovia, na altura da Curva do S, onde ocorreram as mortes, e só voltaram a liberá-lo meia hora depois. Do palanque, montado ao lado da rodovia, o representante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministro Paulo Vanucchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, justificou o ato. Vanucchi disse que se tratava de uma forma de chamar a atenção para as questões da reforma agrária e das violências cometidas no Estado contra os sem-terra e seus defensores. O Pará vem encabeçando há anos a lista dos Estados com os maiores índices de violência no campo.O MST reivindicou um novo julgamento para 142 soldados, cabos e sargentos absolvidos pelo Tribunal do Júri em dezembro de 2004. O coronel Mário Pantoja, condenado a 228 anos, e o major José Maria Oliveira, condenado a 158 anos, respondem em liberdade concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao recurso contra a condenação.Invasões Em São Paulo, o MST invadiu 10 fazendas Pontal do Paranapanema, extremo oeste. A ação, do grupo ligado ao líder José Rainha Júnior, marcou os 10 anos do massacre em Eldorado dos Carajás (PA). Foram mobilizados mais de mil militantes na ação que eles chamaram de "uma ocupação para cada ano de impunidade".Os sem-terra de Pernambuco saquearam dois caminhões carregados com massas em São Lourenço da Mata, município metropolitano e bloqueou cinco trechos de estradas federais para marcar os 10 anos do massacre.Em Minas Gerais, o MST invadiu durante a madrugada duas fazendas no norte de Minas Gerais. Segundo o movimento, 78 famílias ocuparam a Fazenda Vereda São João, na cidade de Coração de Jesus, a 475 quilômetros de Belo Horizonte. Outras 60 famílias, segundo o movimento, invadiram a fazenda Bonsucesso, cuja área compreende os municípios de Capitão Enéas e Janaúba. Militantes do MST bloquearam cinco rodovias do Rio Grande do Sul por 19 minutos. Os manifestantes saíram de assentamentos e acampamentos e interromperam a BR-293, em Hulha Negra, a BR-116, em Arroio Grande, e a BR-158, em Santana do Livramento, no sul; a BR-285, em Santo Antônio das Missões, no oeste; e a BR-386, em Nova Santa Rita, no leste do Estado. O trânsito foi liberado logo depois das manifestações.Em mais uma ação contra projeto de plantio de eucalipto e pelo aniversário do massacre, cerca de dois mil integrantes MST ocupam desde domingo uma fazenda de 975 hectares pertencente à Suzano Papel e Celulose, situada no município de Teixeira de Freitas, no sul da Bahia. Para montar o acampamento, os sem-terra arrancaram centenas de mudas de eucalipto. Pelo menos 300 barracas de lona e plástico preto foram armadas no local.Doação de sangue Manifestantes MST doaram 200 bolsas de sangue a vários hospitais de Mato Grosso do Sul, principalmente para a Santa Casa de Campo Grande que ganhou 100 unidades do gênero. A direção do MST optou por um movimento pacífico com doação de sangue e entrega de documentos contra a violência no Campo às autoridades.No sábado, um caminhão contendo 406 quilos de peças de carne bovina, foi saqueado por sem-terra no município de Novo Horizonte do Sul, a 320 quilômetros de Campo Grande. Eles são ligados ao movimento Famílias Unidas do Vale Ivinhema (FUVI). O MST afirma que o saque não tem ligação com os protestos pela chacina da Carajás. MarchaTrabalhadores rurais sem-terra, ligados aos quatro movimentos sociais que atuam em Alagoas - MST, CPT, MTL e MSLT -, estão acampados na Praça Sinimbu, em frente a sede da superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), no Centro de Maceió, onde começaram a chegar na noite do último domingo.Os quatro movimentos esperam reunir até amanhã cerca de quatro mil sem-terra, para realizar uma grande marcha até a cidade de Atalaia, a 48 quilômetros da Capital. A marcha é um protesto contra a violência no campo e em solidariedade aos mortos na chacina no Pará.O MST no Paraná lembrou os mortos em Carajás e comemorou o início de um dos maiores assentamentos do País, em Rio Bonito do Iguaçu, no sul do Estado, a 380 quilômetros de Curitiba. No mesmo dia em que 19 sem-terra foram mortos em Eldorado de Carajás (PA), no sul do Pará, cerca de 3 mil famílias invadiram parte das terras da empresa Giacometti Marodin. A área foi transformada nos assentamentos Ireno Alves e Marcos Freire, onde estão 1.498 famílias. A prefeitura decretou ponto facultativo para que todos pudessem participar da festa.

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