Capote nega sofrer pressão

Para jogador de handebol, boxeadores quiseram voltar

Paulo Darcie, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2013 | 00h00

O jogador de handebol Rafael Capote, de 19 anos, o primeiro atleta cubano a desertar durante os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, no dia 12 de julho, acredita que os dois boxeadores deportados de volta para Cuba tenham deixado o Brasil por vontade própria. "Se foram, é porque acharam que seria a melhor opção". No entanto, Capote ressalta que Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara nunca voltarão a subir em um ringue. "O boxe acabou para eles. Vão ter que arrumar outro tipo de trabalho, nunca mais terão os benefícios dados a atletas".Em Cuba, esportistas de alto nível têm um mínimo de vantagens materiais, como casa e carro. Mas, apesar das boas condições de vida em comparação à média da população, muitos atletas não consideram as regalias suficientes, pois não há mercado de trabalho e nem ligas profissionais competitivas como no exterior. Os quatro cubanos que deixaram a delegação cubana no Pan do Rio não foram os primeiros a ter essa idéia: nos jogos de Winnipeg, no Canadá, em 1999, foram 13 os desertores. "Aqui no Brasil posso jogar em um clube, ter meu salário e logo chegar a um bom nível de vida. Minha decisão de sair de Cuba é puramente profissional", ressalta.Capote evita falar sobre a atuação do governo brasileiro no episódio da volta dos boxeadores para Cuba, mas afirma que não está sendo pressionado de nenhuma maneira para voltar para seu país. "Ninguém me procurou para falar sobre isso.Sua situação no país ainda não é legal, mas já busca a regularização com o apoio da Cáritas do Brasil, uma instituição de apoio a refugiados. Capote está morando em São Caetano, no ABC paulista, para onde rumou de táxi (uma corrida que custou R$ 600,00) quando deixou a delegação cubana no Rio de Janeiro. Ele vive e treina com jogadores do time da cidade.FAMÍLIAQuanto às conseqüências de sua decisão de ficar no Brasil, Capote diz não temer represálias a seus familiares em Cuba. "Não tenho medo do que possa acontecer com minha família. Não farão nada contra eles. A decisão é só minha", afirma o atleta cubano. FRASESRafael CapoteAtleta cubano"O boxe acabou para os dois boxeadores. Vão ter que arrumar outro tipo de trabalho, nunca mais terão os benefícios dados a atletas""Não tenho medo do que possa acontecer com minha família. Não farão nada contra eles. A decisão é só minha"

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.