Capital concentra 23% dos miseráveis de SP

Cidade tem cerca de 101 mil moradores em domicílios com renda média de até R$ 70 por mês; cobertura do Bolsa Família é de apenas 41%

Daniel Bramatti, O Estado de S. Paulo

25 de junho de 2011 | 16h42

O mapa da miséria revelado recentemente pelo Censo 2010 coloca São Paulo em uma situação privilegiada: mais da metade dos municípios do Estado tem, no máximo, 1% de sua população vivendo em extrema pobreza, ou seja, em domicílios com renda média per capita de até R$ 70 por mês.

 

Estão nessa situação de miséria praticamente erradicada nada menos que 363 dos 645 municípios paulistas, ou 56% do total. Apenas quatro cidades, todas na região do Vale do Ribeira, perto da fronteira com o Paraná, têm mais de 10% de seus moradores vivendo com R$ 70 por mês ou menos – esse valor foi definido recentemente pelo governo como linha oficial para medir o número de miseráveis no País.

 

Na capital, o índice de miséria atinge apenas 0,9% da população. Em termos proporcionais, é uma taxa praticamente desprezível – em números absolutos, porém, são 101 mil paulistanos, o equivalente a quase três vezes o número de torcedores que, na última semana, compraram ingressos para ver a final da Libertadores no Pacaembu.

 

Estão na cidade de São Paulo nada menos que 23% dos 443 mil miseráveis que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) encontrou no Estado.

 

A cidade campeã de miséria, em termos proporcionais, é Itaoca, com 13,7% da população com renda de até R$ 70. Mas é um lugarejo: os miseráveis são apenas 442, segundo o Censo. A capital paulista, apesar de seu índice inferior a 1%, tem 250 vezes mais moradores vivendo na extrema pobreza.

 

Esse número poderia ser menor se a capital não tivesse uma das mais baixas coberturas do Bolsa Família, o principal programa social do governo federal.

 

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, o Bolsa Família é pago a apenas 41% do total de paulistanos que, por seu perfil de renda, se enquadram nos critérios do programa. Nem todos, porém, foram cadastrados pela Prefeitura. Em todo o Estado, segundo o ministério, cerca de 320 mil pessoas estão nessa situação.

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