Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Capitais do nordeste têm atos com baixa adesão

Força de protestos surpreende organização no Sul e Porto Alegre reúne 100 mil pessoas

O Estado de S. Paulo

15 de março de 2015 | 23h21

Reduto eleitoral do PT, o Nordeste assistiu neste domingo, 15, a manifestações em todas as capitais da região. Com baixa adesão, porém, em relação ao restante do País, os protestos reuniram cerca de 75 mil pessoas nas ruas de Estados onde a presidente Dilma Rousseff recebeu até 78% dos votos válidos em outubro.

Vestidos de verde e amarelo, os manifestantes gritaram “Fora Dilma”, com pedido de impeachment ou renúncia e até mesmo de intervenção militar. 

Em Teresina, 4 mil manifestantes, segundo a Polícia Militar, chegaram a “velar” Dilma e o PT na Avenida Marechal Castelo Branco. “Esta é uma manifestação popular. O povo quer ir às ruas para ser ouvido e mostrar sua indignação. A nossa intenção é acabar com a corrupção”, disse Lúcia Santos, presidente do Sindicato dos Médicos do Piauí.

O mesmo tom de repúdio ao PT e à presidente foi visto na manifestação de João Pessoa, onde 1,5 mil pessoas, segundo a PM, se concentraram na Praia de Tambaú. “Avaliamos (o ato)como positivo e queremos que isso não pare por aqui. Precisamos de respostas, e o Brasil precisa mudar”, disse Maurício Albuquerque, do Movimento Brasil Livre (MBL).

Duas manifestações reuniram, segundo a PM, 10 mil pessoas em Salvador. O movimento atraiu famílias inteiras, idosos e também crianças. O advogado Carlos Augusto Costa, de 62 anos, levou a mulher, três filhos – dois deles com as mulheres – e dois netos, um menino de 8 e uma menina de 5 anos. “É importante envolver a família nesse tipo de manifestação, incentivar a cidadania.”

Outras regiões. No Sul, onde Dilma teve votação menos expressiva, a força da manifestação surpreendeu. “Sendo otimistas, pensávamos em 60 mil nas ruas”, disse Fábio Ostermann, um dos líderes do MBL em Porto Alegre, onde, segundo a Brigada Militar, havia 100 mil pessoas entre os Parques Moinhos de Vento (Parcão) e o Farroupilha (Redenção). “Isso nunca foi visto aqui no nosso Estado em termos de participação do povo”, disse o aposentado José Luiz Teixeira. 

A reforma política também pautou os discursos. “Deveríamos começar do zero, fazer uma reforma política a partir disso, não podemos mais conviver com essa corrupção”, disse o manifestante Marco Romero, de Curitiba. Na capital paranaense, foram 80 mil pessoas, segundo a PM, em ato entre a Praça Santos Andrade e a Boca Maldita. 

Em Belo Horizonte, onde 24 mil se concentraram na Praça da Liberdade, segundo a PM, o fisioterapeuta André Luís Bernadeli, de 38 anos, levou a família para protestar. “O momento é de indignação com o que acontece no Brasil”, disse. 

Sob gritos de “Fora Dilma” e “a nossa bandeira jamais será vermelha”, 15 mil pessoas, segundo a PM, ocuparam a orla de Copacabana, no Rio. “Pouco me importa quem vai ser o presidente, desde que não seja do PT”, disse o engenheiro Mauricio Cruz, de 57 anos.

A Esplanada dos Ministérios recebeu 45 mil pessoas, segundo a PM. A presidente ficou isolada no Palácio do Alvorada. A servidora pública Fabiane Freitas disse que “ela nunca tem conhecimento de nada, nunca sabe de nada”. / MURILO RODRIGUES ALVES, ANDRÉ BORGES, ADRIANA FERNANDES, EDUARDO RODRIGUES, ANGELA LACERDA, FELIPE WERNECK, ROBERTA PENNAFORT, CLARISSA THOMÉ, VINICIUS NEDER, TIAGO DÉCIMO e JANAÍNA ARAÚJO, LUCIANO COELHO, LUCAS AZEVEDO, JULIO CESAR LIMA 

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