'Cansei' é manifestação legítima da sociedade, diz Aécio

Governador de Minas defende movimento liderado pela OAB-SP e pede humildade a Lula

Carlos Eduardo Cherem, da Agência Estado,

02 de agosto de 2007 | 21h17

O governador de Minas Gerais Aécio Neves disse nesta quinta-feira, 2, que o movimento "Cansei", surgido em São Paulo logo após o acidente do avião da TAM e liderado pela OAB-SP, deve ser compreendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma manifestação legítima da sociedade brasileira. Aécio Neves ainda criticou o fato de o presidente querer se transformar em unanimidade nacional e pediu mais humildade a Lula.   "O movimento ("Cansei") é absolutamente legítimo e tem que ser compreendido como um movimento democrático de insatisfação em relação à determinadas ações de governo. Está longe de poder ser considerado um movimento golpista porque nós vivemos numa democracia. E só nos regimes autoritários é que não se respeitam manifestações contrárias, manifestações de oposição", afirmou o governador mineiro.   Para Aécio Neves, o movimento é legítimo e faz parte do jogo democrático. "Eles têm o direito de se manifestar independentemente da classe social, classe econômica que ocupem", disse.   Sobre a fala de Lula dizendo que é o líder político que mais consegue colocar gente na rua, o governador afirmou que ninguém pode querer ser unanimidade. "O presidente Lula tem um respaldo importante da população. Mas ninguém pode querer ter a unanimidade. É preciso, porém, em benefício das ações de governo, que ele conviva melhor do que está convivendo com essas reações, que podem ser até minoritárias, mas nem por isso podem ser desrespeitadas", afirmou o governador mineiro. Para Aécio Neves, aqueles que hoje são governo eram minoritários há pouco tempo atrás.   Equívoco   "O poder é cíclico. Ninguém vai se eternizar no poder no Brasil, felizmente. Quando se está no poder é importante compreender que o direito da minoria deve continuar e precisa continuar sendo respeitado", afirmou. O governador mineiro ainda afirmou que as vaias não podem constranger o homem público. "É natural que existam setores expressivos , como mostram as pesquisas, que apóiam o presidente Lula. Entretanto, existem aqueles que têm divergências com várias ações do governo", disse.   Aécio Neves considerou que transformar eventuais contestações ao governo em um pseudo-golpismo é um equívoco. "O Brasil tem uma democracia absolutamente sólida, para a qual lutaram tantos brasileiros. É preciso que o governo busque, nestas contestações, encontrar alguns caminhos. Seja no gerenciamento, que é precário ainda em várias áreas, seja numa ousadia que talvez falte em outras sobretudo, por exemplo, nas votações dessas reformas que esse País precisa. Acho que os homens públicos devem ter a humildade necessária para receber aplausos, mas também para receber as vaias", afirmou.

Tudo o que sabemos sobre:
Aécio NevesCansei

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.