''Candidatura única é um risco incabível''

Ciro Gomes: deputado PSB-CE; Deputado acredita que nome único da base governista para disputa presidencial pode dar a Serra vitória no 1.º turno

Entrevista com

Luciana Nunes Leal, RIO, O Estadao de S.Paulo

12 de agosto de 2009 | 00h00

Na noite de segunda-feira, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) animou dirigentes e líderes socialistas na Baixada Fluminense quando revelou que está decidido a ser candidato à Presidência da República. Embora tenha ressalvado que não se trata de uma opção individual e que vai ouvir as ponderações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Ciro reiterou a tese de que uma candidatura única da base governista, representada pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, é um risco e pode levar o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), à vitória no primeiro turno. O deputado confirmou que participará de um encontro com o presidente hoje."É um risco desnecessário, incabível, uma ameaça ao futuro do País colocar todos os dados numa única mão em um primeiro turno", disse, pouco antes de uma palestra sobre educação na sede do PSB de Duque de Caxias.De que depende sua decisão sobre ser candidato a presidente ou a governador de São Paulo? De uma orientação do meu partido. Nós temos aliança com o presidente Lula e gostamos dessa aliança. Queremos convencê-lo das nossas percepções. Mas vamos ouvir com o maior respeito as ponderações do presidente. O sr. defende a tese de que uma candidatura única da base governista pode dar a vitória ao governador José Serra no primeiro turno?Nós pensamos que é um risco desnecessário, incabível, uma ameaça ao futuro do País colocar todos os dados numa única mão em um primeiro turno. Que tipo de dificuldade o sr. vê? Há cogitações da possibilidade de a ministra Marina Silva ser candidata. O impacto disso é deletério sobre a candidatura da Dilma.Por quê? Porque é uma defecção do PT, é mulher. Tem identificação com o Lula de mais longo curso do que a da Dilma. E a Marina pode se apresentar recuperando uma certa intransigência ideológica, ética, que a Dilma, pelo entorno político que hoje está, não pode. O Lula aguenta defender o Sarney, o Renan, se abraçar com Collor, porque tem interlocução e uma exuberância política que são justas, são dele. Nem eu, nem o Serra, nem a Dilma, nem a Marina aguentaria.Como o sr. candidato a presidente se apresentaria para o eleitor? Não sou uma novidade. Eu diria: manter e institucionalizar tudo de bom do Lula. E consertar o que de contradição existe. Qual é o prazo para o sr. escolher seu futuro em 2010? Eu pessoalmente estou decidido. Sou candidato a presidente. Eu já escolhi. O resto agora são as outras variáveis.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.