Candidatura de Inocêncio sofre duro golpe

O presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), impôs hoje um duro golpe à candidatura de Inocêncio Oliveira (PFL-PE), impedindo que o pefelista negocie cargos na mesa diretora da Casa diretamente com os deputados.Pela decisão de Temer, a negociação dos cargos na mesa diretora daCâmara terão que ser feitas obrigatoriamente entre os líderespartidários. A cessão das duas vagas do PFL na mesa da Câmara _ a 1ªvice-presidência e a 4ª secretaria _ estavam sendo negociadas porInocêncio Oliveira diretamente com deputados dissidentes de partidosque, oficialmente, estão apoiando o seu adversário, o líder tucanoAécio Neves (MG), na disputa pela presidência da Câmara. Hoje mesmo, o pefelista ofereceu a primeira vice-presidência daCâmara, cargo que cabe ao PFL, para os deputados Paulo Lima e MarceloBarbiere, ambos do PMDB de São Paulo. Mas com a decisão de Temer, ocargo só poderá ser cedido aos peemedebistas, caso o líder do partido,deputado Geddel Vieira Lima (BA), aprove a transação. Geddel apoia acandidatura de Aécio Neves e, portanto, não dará esse aval para anegociação. Na prática, a decisão de Temer inviabiliza as negociaçõesempreendidas por Inocêncio Oliveira com os demais partidos governistas.Inocêncio tem o apoio oficial apenas pelo seu partido, o PFL, enquantoa candidatura de Aécio Neves conta a adesão dos líderes de cincopartidos: PMDB, PPB, PTB, PSB e PPS, além do PSDB.A decisão de Michel Temer também deverá dificultar a realização de umsegundo turno de eleição para a presidência da Câmara. InocêncioOliveira estava trabalhando para coaptar os votos de parlamentares dabase governista insatisfeitos com o apoio da cúpula de seus partidos àcandidatura de Aécio Neves. E para atrair os votos dos dissidentesusava como moeda de troca os cargos a que o PFL tem direito na mesadiretora. O pefelista está apostando tudo na realização de um segundoturno eleitoral. Acredita ser uma forma de ganhar mais tempo na caçaaos votos dos deputados rebeldes.Já os tucanos estão preocupados com a hipótese de segundo turno e, porisso, estão fazendo um corpo-a-corpo em busca dos votos dos deputadospara tentar eleger Aécio Neves no primeiro turno. A probabilidade de umsegundo turno na Câmara aumentou com o lançamento da candidatura doex-líder do PT deputado Aloizio Mercadante (SP). Sua candidaturaabocanha os votos de quatro partidos de oposição (PDT, PC do B, PV,além do PT) que, juntos, têm 82 deputados. Além disso, há cincocandidatos _ Nelson Marquezelli (PTB-SP) e Valdemar Costa Neto (PL-SP),além de Aécio, Inocêncio e Mercadante _, o que poderá acabarpulverizando os votos e inviabilizando que uma das candidaturas tenha amaioria das preferências dos deputados. O futuro presidente da Casa será eleito com a maioria dos votos dospresentes (metade mais um), descontados os votos nulos e as abstenções.Ou seja: caso compareçam, por exemplo, 500 deputados, no próximo dia14, o eleito terá que ter, no mínimo, 251 votos. Se Aécio Neves tiver,por exemplo, 250 votos e Inocêncio 140, haverá segundo turno. Daí ocorpo-a-corpo que está sendo feito pelo tucano para conquistar 257votos (metade mais um do total de 513 deputados). Se houver, o segundo turno da eleição na Câmara será realizado nopróximo dia 14, logo após o primeiro escrutínio. Pelo regimento, avotação para presidente da Câmara é realizada conjuntamente com osdemais cargos da mesa. Os deputados votam em uma cédula para presidentee, em outra, para as seis vagas na mesa diretora. Mas a apuração dosvotos é feita primeiro para presidente. E, se por acaso, nenhum doscinco candidatos conquistar a maioria dos votos, haverá imediatamenteum segundo turno. Só depois do segundo turno é que serão computados osvotos para os demais cargos da mesa.

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