Candidatura de Alckmin divide cardeais tucanos

Grupo de FHC e Serra quer manter aliança com DEM e reeleger Kassab, enquanto ex-governador, segundo tucanos, tem apoio de Aécio e Tasso

Carlos Marchi, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2008 | 00h00

A disputa pela indicação do candidato do PSDB para a Prefeitura de São Paulo separou o tucanato paulista em dois campos: um, historicamente ligado ao governador José Serra e ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que apóia a manutenção da aliança com o DEM e a reeleição do atual prefeito Gilberto Kassab (DEM); e outro, ligado ao ex-governador Geraldo Alckmin, que se lançou defendendo a tese de candidatura própria na capital.O mais importante aliado de Alckmin é o atual líder do PSDB na Câmara, José Aníbal, que nunca esteve na esfera de influência de Serra e cuja eleição fez pender a disputa paulistana em favor de Alckmin. Curiosamente, a principal característica do grupo alckmista, que pretende controlar a prefeitura da capital, é que, à exceção de Aníbal, todos - inclusive Alckmin - têm seus redutos eleitorais no interior paulista.Alckmin é de Pindamonhangaba e os principais integrantes de sua tropa de choque são deputados que se elegem com votos do interior. Sílvio Torres foi eleito para a Câmara pela região de São José do Rio Pardo; Edson Aparecido teve a melhor votação proporcional em Tupã e na Alta Paulista; Duarte Nogueira e Júlio Semeghini obtiveram a maioria de seus votos em Ribeirão Preto. Na Assembléia, Pedro Tobias, mais votado do PSDB, foi eleito por Bauru.Do lado de Serra, as influências mais marcantes são o ex-presidente Fernando Henrique, que defendeu publicamente a candidatura de Kassab, o vice-governador Alberto Goldman, o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira Filho, e o secretário municipal de Esportes, Walter Feldman.CONTROLE REMOTOTucanos paulistas dizem que a candidatura de Alckmin tem sido estimulada à distância por dois tucanos não-paulistas. Um deles, o governador Aécio Neves, chegou a oferecer a agência MPM - que o assessora - para fazer a campanha do ex-governador. Recentemente, quando convencia um deputado mineiro a votar em Aníbal, na disputa da liderança do PSDB na Câmara, Aécio explicou que precisava ''criar confusão em São Paulo''. Criar confusão em São Paulo, no caso, significa criar complicadores para Serra, com quem disputa a indicação tucana para concorrer à Presidência em 2010.Aécio tem explorado o argumento de que um paulista não pode suceder o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, arrematando que, ao fim do atual mandato, serão 16 anos de governos comandados por políticos paulistas. E sugere que está na hora de ''variar'', argumento que é colado a sugestões de que o Brasil é ''muito maior que São Paulo''.Outro que discretamente estimula Alckmin a ser candidato é o senador tucano Tasso Jereissati (CE), adversário de Serra.

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