Candidatos usam o carnaval para 'legitimação social'

Para pesquisadora, proximidade com o público faz os foliões terem uma identificação maior com os candidatos

Bruno Siffredi, do estadao.com.br,

12 de fevereiro de 2010 | 21h01

Dilma, Serra e Ciro devem participar do maior bloco carnavalesco do país, o Galo da Madrugada

 

SÃO PAULO - Três dos principais pré-candidatos ao Palácio do Planalto vão intensificar nos próximos dias suas agendas para tentar garantir exposição nas maiores festas carnavalescas do País. A presença dos candidatos no Carnaval "é uma forma de legitimação social e uma forma também de aparecer", afirma a pesquisadora Rúbia Lóssio, do Núcleo de Estudos Folclóricos Mário Souto Maior, vinculado à Fundação Joaquin Nabuco, de Recife. "Eles têm um benefício com relação à comunicação e na questão do marketing."

 

Ela explica que a proximidade dos políticos com os eleitores durante as festas de Carnaval propicia uma "comunicação face a face" que faz os foliões terem uma identificação maior com os candidatos. Nesse período as pessoas estão mais relaxadas e abertas à mensagem dos políticos, ou seja, mais "vulneráveis", nas palavras da pesquisadora.

 

Em comum no itinerário de Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Ciro Gomes (PSB), caso as agendas permitam, será a participação no bloco do Galo da Madrugada, de Recife, considerado o maior bloco de carnaval do mundo. O tradicional desfile pernambucano, que é realizado desde 1978, pode ser palco de um encontro inusitado entre os pré-candidatos.

 

Rúbia Lóssio conta que a participação dos políticos no Carnaval de Recife se intensificou quando as prefeituras passaram a participar da organização. "Os políticos (locais), como querem votos, investem nessas agremiações, patrocinam e dão dinheiro", explica.

 

A pesquisadora acredita que participação crescente de políticos nas festas pode dar um "impulso" para o surgimento de blocos "a favor ou contra o sistema, a ordem pública e os políticos". Foi o caso, por exemplo, das "homenagens" de blocos cariocas ao governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, preso na quinta-feira, 11, em Brasília.

 

Estratégia

 

A ministra da Casa Civil e pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, tem até o momento a agenda mais intensa no Carnaval. Seu primeiro compromisso será no desfile do Galo, a convite do governador Eduardo Campos (PSB). De lá segue para Salvador e, depois, Rio de Janeiro.

 

Segundo a pesquisadora, a estratégia da candidata do governo é acertada, pois alguns eleitores têm o primeiro contato com os candidatos durante o período festivo. "Gente que não conhecia os políticos, às vezes conhece no carnaval", afirma.

 

Rúbia Lóssio conta que em Recife, onde as máscaras e a sátira dos políticos são um elemento comum nas festas populares, os produtos relacionados à pré-candidata do PT ainda não deslancharam. "A máscara de Dilma aqui não é tão vendida", relata.

 

A pesquisadora acredita que seja uma característica da cultura popular se apropriar de elementos mais próximos do próprio cotidiano. "Quando (o candidato) está próximo, o povo absorve bem mais, então talvez (Dilma Rousseff) esteja muito afastada da realidade neste momento", indica.

 

O governador do São Paulo e pré-candidato do PSDB, José Serra, também pretende marcar presença nas festas de Carnaval. Serra busca exposição no Nordeste do País e, para isso, planeja ir para Recife e Salvador. Entretanto, devido aos problemas que a chuva vem causando em São Paulo, o governador deverá cancelar a visita se os alagamentos persistirem durante o carnaval.

 

Por sua vez, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), que também recebeu convite de Eduardo Campos, confirmou presença em Recife no sábado. De lá, ele segue para o Rio, onde passará o carnaval ao lado de sua mulher, a atriz Patrícia Pillar.

 

Exceção

 

A exceção à folia é a senadora Marina Silva (PV), que vai ficar em Brasília, onde pretende dedicar seu tempo à família. Conhecida por sua religiosidade, a senadora informou através de sua assessoria que não vai participar dos eventos carnavalescos e não pretende desfilar por nenhuma escola.

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