Candidatos têm prestígio maior que a produção

Influência de concorrentes a chefiar Senado e Câmara contrasta com total de projetos e atuação em comissões

Guilherme Scarance, O Estadao de S.Paulo

31 de janeiro de 2009 | 00h00

Eles são deputados e senadores experientes, dominam os meandros do Congresso e se destacam entre os mais influentes. Quase não faltam, mas, de modo geral, assinam poucos projetos - permeados de homenagens e sessões solenes -, não integram comissões permanentes, nem exercem cargos de liderança. Esse é o perfil que sobressai do trabalho, no atual mandato, dos concorrentes no Senado e na Câmara.Dono de um patrimônio de R$ 4,3 milhões, segundo declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), José Sarney (PMDB-AP) gastou R$ 1,6 milhão para se eleger senador, em 2006. Faltou a cinco votações nos primeiros anos deste mandato. O cacique - senador desde 1991 - não participou de missões representando a Casa, não integrou comissão permanente nem exerceu função de líder.Nos dois anos deste mandato - o seu terceiro -, apresentou 15 propostas. São três projetos de lei, um pedido de investigação e 11 requerimentos de homenagens, sessões solenes ou votos de pesar. Destaca-se mais como articulador, que lhe garante a citação na lista dos "100 cabeças do Congresso" do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) há 15 anos.Tião Viana (PT-AC) está no segundo mandato. Tem patrimônio menor (R$ 23,8 mil) e gastou R$ 163 mil na eleição. De seu gabinete saíram 32 propostas: 14 projetos de lei, 3 propostas de emenda à Constituição, 4 projetos de resolução (dois dão nomes oficiais) e 11 requerimentos - 5 são homenagens, pedido de sessão solene ou voto de pesar. Um requerimento sugeria "voto de aplauso à autora Glória Perez por ocasião do término da minissérie Amazônia."Igualmente citado entre os "cabeças" do Congresso, ele faltou a duas votações. Representou a Casa em duas "missões": um seminário em Londres e um evento em Nova York. Fez parte da CPI do Apagão Aéreo.TIPOS DE LÍDERESPara o cientista político Leonardo Barreto, da UnB, há líderes "formais" e "informais". Uns se destacam pela produção, outros são articuladores. "Algumas qualidades podem ser registradas, outras não", explica. Barreto ensina a receita para um bom presidente: "Ter trânsito e capacidade de construir consensos, ter grandes trabalhos prestados, criado e relatado bons projetos, ter ocupado cargos importantes."Na Câmara, nenhum dos quatro candidatos faltou ( sem justificativa) às sessões. Michel Temer (PMDB-SP), deputado desde 1987, está no sexto mandato. Dono do maior patrimônio entre os concorrentes (R$ 2,2 milhões), assinou 7 propostas - 4 projetos de lei e 3 requerimentos. Participa da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).Aldo Rebelo (PC do B-SP) fez a campanha mais cara, de R$ 1,4 milhão. Participa da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Neste quinto mandato, produziu três projetos - um requerimento de sessão solene e dois pedidos de informação.Ciro Nogueira (PP-PI) e Osmar Serraglio (PMDB-PR) não podem participar de comissões por integrarem a Mesa. Ciro enviou 9 propostas - 2 projetos de lei. Serraglio assinou 48 - 5 projetos de lei, 6 emendas, 20 indicações, 5 requerimentos (1 para sessão solene) e 12 pedidos de informação. Temer, Aldo e Serraglio aparecem entre os "cabeças".

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