Candidatos surfam na onda da febre Orkut

De graça, com o potencial de atingir pelo menos 500 mil brasileiros e sem ter de prestar esclarecimentos à Justiça eleitoral, a propaganda política rola solta no Orkut. Febre entre os internautas brasileiros, a megacomunidade foi criada nos Estados Unidos por engenheiros do buscador Google. Funciona no boca-a-boca: para entrar é preciso ser convidado por um membro. Depois, é só sair convidando outros tantos amigos. Resultado: mais de 1 milhão de associados. Os membros podem criar "comunidades" - fóruns temáticos. Então, entre temas como "Eu odeio acordar cedo" ou "Gosto de beijar", estão a "Eu amo a Marta Suplicy", "José Serra para prefeito de São Paulo" e "Malufistas de coração", por exemplo. Em outra frente, há comunidades na linha "eu odeio". São "Eu odeio a Marta", "José Serra - Deus me livre!" e "São Paulo odeia Maluf". Em geral, as comunidades dos candidatos foram criadas por simpatizantes. Caio Blaj confessa que votou em Marta na última eleição, mas agora ajuda seu candidato como pode: fundou a comunidade "José Serra para prefeito de São Paulo", que tinha, até ontem, 53 membros. "Não tenho nenhum contato com ele, nem com o PSDB. Sou um eleitor totalmente comum", conta. "Tem gente que, por exemplo, gosta da Marta, mas entra na ´Eu odeio a Marta´ só para polemizar." Maluf é o candidato mais odiado e o mais querido. "São Paulo odeia Paulo Maluf" tem 1.720 membros; "Para quem é malufista de coração" tem 565. Quem se aproveita mesmo das benesses do Orkut são os candidatos a vereador. Nure Saad Jr., do PSDB, é o campeão de adesões em São Paulo - 143 membros até ontem. "O Orkut é um marketing pontual e bacana", avalia o jovem candidato, de 28 anos. A maioria dos usuários é jovem - 73% têm entre 18 e 30 anos.

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