Candidatos se unem contra Paes em debate no Rio

Os cinco principais candidatos à Prefeitura do Rio passaram por constrangimentos ao serem questionados sobre suas alianças partidárias e incoerências políticas durante debate realizado na noite de quarta-feira.

ALFREDO JUNQUEIRA, Agência Estado

06 de setembro de 2012 | 19h26

Todos trocaram respostas ríspidas e fizeram críticas à gestão do prefeito Eduardo Paes (PMDB), candidato favorito à reeleição. O peemedebista chegou a se queixar da falta de elegância dos adversários. Promovido pela RedeTV! e pelo jornal Folha de São Paulo, o debate foi o segundo encontro entre os principais candidatos do Rio.

Paes foi o primeiro a ter que explicar as mudanças de suas posições políticas nos últimos anos. Como deputado federal pelo PSDB, ele foi um dos mais críticos e atuantes parlamentares de oposição na CPI dos Correios no auge do escândalo do mensalão, em 2005. Na época, chegou a cobrar investigações contra parentes do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Hoje, Lula é um dos principais cabos eleitorais de Paes, que migrou para o PMDB em 2007.

O prefeito alegou que estabeleceu uma parceria com os governos federal e estadual para "reconstruir a cidade" e que Lula o apoia desde 2008. "Quando as pessoas me elegeram prefeito sabiam que eu era parceiro do presidente Lula. O Rio estava cansado de encrenqueiro", disse Paes.

Paes também precisou explicar os contratos firmados sem licitação pela sua administração com a Delta Construções - empreiteira investigada por CPI no Congresso pelas suas ligações com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O peemedebista ainda foi questionado sobre as fotos do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), seu padrinho político, com Fernando Cavendish, dono da Delta, em festas e restaurantes de luxo em Paris e Montecarlo. "Na minha administração não houve irregularidades ou escândalos", alegou. "Não estou nem aí para esse empreiteiro".

Principal adversário do prefeito, Marcelo Freixo (PSOL) foi cobrado sobre um candidato a vereador de seu partido ligado a um grupo miliciano que atua na zona oeste da cidade. Ex-presidente da CPI das Milícias na Assembleia Legislativa do Rio, o candidato tem no combate a esses grupos paramilitares sua principal bandeira política. A ligação do candidato do PSOL com o grupo liderado pelo ex-vereador Luiz André Deco (ex-PR), atualmente preso, foi revelada pela coluna Radar Online, da Veja.

"Não havia nada na ficha criminal desse candidato. No relatório da CPI só havia seu primeiro nome. Ele era citado e não indiciado. Desconfiamos dele há duas semanas e pedimos investigação à Secretaria de Estado de Segurança", disse Freixo.

A ausência na campanha de Marina Silva, ex-líder do PV e candidata derrotada do partido à Presidência da República em 2010, foi questionada a Aspásia Camargo (PV). Marina, que saiu do PV depois da eleição, já gravou vídeos de apoio a candidatos a vereador na cidade do Rio, mas não fez qualquer manifestação pública em apoio à antiga correligionária.

"Marina saiu do PV e essa saída foi traumática. Tentei de tudo para que ela não saísse do partido. Somos muito amigas e não vou pedir a ela nada que a constranja", disse Aspásia, que patina em índices muito baixos nas pesquisas eleitorais.

Rodrigo Maia (DEM) foi cobrado sobre a aliança de seu partido com o PR. O ex-prefeito Cesar Maia (DEM), pai de Rodrigo, e o ex-governador Anthony Garotinho (PR), pai da candidata a vice, Clarissa Garotinho, foram inimigos políticos por mais de 15 anos. Ao justificar a aproximação, Rodrigo disse que não tem vergonha de seus aliados e atacou Eduardo Paes por ser apoiado por candidatos a vereador do PT ligados ao ex-ministro José Dirceu:

"Nossa aliança é transparente. Não escondemos de ninguém. Não fazemos como o prefeito que fica fugindo de candidatos do PT ligados ao ex-ministro José Dirceu", disse o candidato do DEM. Ele se referia ao fato de Paes ter feito agenda de campanha em companhia de Marcelo Sereno (PT), ex-assessor de Dirceu na época em que ele comandava a Casa Civil do governo Lula.

Otávio Leite (PSDB) teve que responder sobre o período em que foi vice do então prefeito Cesar Maia e se não tinha responsabilidades pelos erros da administração municipal. O tucano respondeu que abandonou a aliança com Maia logo no início da gestão dele. Leite foi o único candidato a mencionar o julgamento do mensalão durante o debate, pedindo que o Supremo Tribunal Federal condene todos os réus.

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