Candidatos reagem a ''currais'' no Rio

Mesmo diante das dificuldades de acesso impostas por traficantes de drogas e integrantes de milícias que dominam favelas cariocas, os candidatos à Prefeitura do Rio insistem que não deixarão de tentar se aproximar dos eleitores mais pobres. Um dia depois da ameaça feita por criminosos a jornalistas que acompanhavam uma caminhada de Marcelo Crivella (PRB) pela Vila Cruzeiro, sete candidatos ouvidos pelo Estado disseram que não vão se deixar intimidar pela existência de "currais eleitorais" nem pela presença de bandidos armados durante suas visitas às comunidades. No sábado, fotógrafos de três jornais foram obrigados por traficantes, um deles armado com um fuzil, a apagar de suas câmeras fotografias feitas durante o corpo-a-corpo - mais tarde as imagens foram recuperadas graças a um software. Os traficantes apareciam em fotos registradas quando o candidato tentava cumprimentá-los. Crivella não chegou a ser incomodado nem viu as ameaças aos fotógrafos. Ontem, ele voltou a uma área favelizada: foi à Vila Kennedy, na zona oeste. "Não aceito isso. Fico inconformado ao ver que na cidade em que nasci, eu, senador, tenho que ficar pedindo autorização ou ficar tolerando meninos armados de fuzil", disse o senador do PRB, que está em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto. Ninguém foi visto armado nos pontos por onde ele passou ontem. Jandira Feghali (PC do B), que também foi à Vila Cruzeiro no sábado, contou que nunca passou por constrangimentos, seja a ostentação de armas por bandidos ou a hostilidade por conta da imposição de "currais". "A gente não vai lá apenas para pedir voto. Ando com lideranças locais que têm trabalhos realizados. Nenhum de nossos 200 candidatos a vereador tem ligação com traficante ou milícia", afirmou. Eduardo Paes (PMDB) lembrou que nenhum candidato pode prescindir do contato direto com as comunidades. "Mas não vou me submeter a critérios de bandidos", ressalvou. A fim de evitar que moradores acabem votando em candidatos determinados por bandidos ou que tenham o voto comprado, lideranças da Vila Kennedy promoveram uma consulta popular, em maio, no qual escolheram cinco candidatos a vereador. Eles se filiaram ao PTC. "É a população da Vila Kennedy que vai escolher o melhor. Esse é nosso grito de liberdade", explicou o líder comunitário Jorge Azevedo, que faz campanha para os cinco, todos eles moradores antigos. As denúncias de reserva de votos em favelas deixaram Chico Alencar (PSOL) tão indignado que ele propôs um "pacto democrático contra os feudos eleitorais", a ser assinado por representantes de todos os partidos. Assim, eles se comprometeriam a sustar, no Tribunal Regional Eleitoral, os registros dos candidatos a vereador de sua coligação envolvidos com crimes e "com a violência na busca de votos". Para Fernando Gabeira (PV), é importante que as idas às favelas sejam mantidas, para que os moradores se sintam integrados à cidade. Alessandro Molon (PT) disse que é preciso garantir a segurança dos militantes que moram nas comunidades, mais do que a dos candidatos, que dificilmente seriam alvo de um ataque de criminosos. Solange Amaral, candidata do DEM, apontou para o descontrole no setor de segurança pública no Rio.

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