Candidatos que lideram disputa são ex-aliados

Segurança é tema comum das campanhas de atuais adversários

Pedro Venceslau, enviado especial, O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2017 | 05h00

MANAUS - Os três candidatos ao governo do Amazonas na eleição suplementar marcada para hoje mais bem posicionados nas pesquisas de opinião – Amazonino Mendes (PDT), Rebecca Garcia (PP) e Eduardo Braga (PMDB) – foram, em algum momento, do mesmo grupo político. Tudo começou em 1982, no período da redemocratização, quando Gilberto Mestrinho, então líder de oposição à Arena, elegeu-se governador pelo PMDB. Amazonino Mendes, seu aliado, foi também seu herdeiro político e elegeu-se governador do Amazonas e prefeito de Manaus.

No último debate, na quinta-feira passada, Braga e Rebecca foram os alvos preferenciais dos adversários, que lembraram justamente que a dupla já esteve junta em eleições passadas. O ex-prefeito Amazonino Mendes foi poupado.

Segurança pública. Durante a campanha ao governo do Estado, Rebecca, Amazonino, Braga e os outros candidatos focaram na segurança pública, tema seguido pela economia. Segundo o Atlas da Violência de 2017, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Manaus teve o quinto maior crescimento do País em homicídios. Em duas semanas, os jornais A Crítica e Manaus Hoje, os dois maiores da região, noticiaram dez casos de estupro.

Outro tema relacionado à segurança pública que mobilizou os candidatos são os presídios. Em janeiro, o Amazonas registrou três violentas rebeliões em penitenciárias em menos de 24 horas. O episódio jogou luz sobre o polêmico contrato do governo com a empresa Umanizzare Gestão Empresarial, que administra o Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), onde uma rebelião deixou 56 presos mortos.

No último debate entre os candidatos, a empresa foi citada. “São R$ 5.100 por preso no presídio dominado por xerifes do tráfico no contrato da Umanizzare”, disse o candidato Luiz Castro, da Rede. “A Umanizzare é um câncer. Paga mais que o dobro do resto do Brasil”, afirmou o candidato Marcelo Serafim (PSB). A empresa não se manifestou.

Para o deputado estadual David Almeida (PSD), que tornou-se governador do Estado em maio após ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar o mandato de José Melo (Pros) por compra de votos, “a eleição foi ignorada em nível nacional”. Ele admite que a compra de votos é uma prática que ainda existe na eleição estadual. “Essa prática está enraizada em todo o Brasil. Aqui no Amazonas ainda tem a questão geográfica.”

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