Candidatos podem fazer campanha de rua a partir de domingo

Lei Eleitoral veda, porém, uso de outdoors, distribuição de brindes, showmícios e apresentação de artistas

05 de julho de 2008 | 23h54

A campanha eleitoral tem início oficial a partir deste domingo, 6. Em todo o País, candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador podem promover atividades de rua para pedir votos, além de organizar comícios e reuniões públicas, na tentativa de conquistar o maior número possível de votos até a disputa nas urnas, em 5 de outubro.   Veja também:  Pesquisa Datafolha mostra Marta na frente em São Paulo  Candidatos iniciam campanha neste domingo  Calendário eleitoral  Pesquisa Ibope mostra as intenções de voto na disputa em SP    Em São Paulo, a maior cidade do País, disputarão os votos dos 8.197.596 eleitores a ex-ministra Marta Suplicy (PT), o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o atual prefeito Gilberto Kassab (DEM), além do deputado Paulo Maluf (PP), da vereadora Soninha Francine (PPS) e do também deputado Ivan Valente (PSOL). Edmilson Silva Costa e a vice Fernanda Pereira Mendes, pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Ainda segundo balanço parcial do Tribunal Regional Eleitoral da capital, até as 6h40 do último sábado, haviam feito o registro de candidaturas outros dois nomes: Renato Reichmann (PMN) e Edmilson Costa (PCB).   Nas eleições de 2006, somente em São Paulo, cerca de 7 milhões de pessoas compareceram às urnas para escolher deputados estaduais e federais, governadores e presidente. A Justiça Eleitoral prevê contabilizar aproximadamente 400 mil pedidos de candidatura às eleições municipais deste ano. Estão sendo disputados nas eleições de outubro 5.563 cargos de prefeito, com o mesmo número de vices, e cerca de 52 mil vagas de vereadores.   A partir deste domingo, os candidatos podem fixar faixas, placas e cartazes em imóveis particulares, desde que sejam autorizados pelo proprietário e tenham tamanho de até 4 metros quadrados. Além disso, é permitida a distribuição de santinhos e panfletos. Entre as 8 e as 24 horas, a lei permite também atos e comícios com aparelhagem de som fixa. Já o uso de alto-falantes em veículos fica permitido das 8 às 22 horas. A Lei Eleitoral veda, porém, a propaganda em outdoors e a distribuição de brindes, como camisetas e chaveiros, que possam proporcionar vantagem ao eleitor. Também são proibidos os showmícios e a apresentação remunerada ou não de artistas para angariar votos.   Apesar de liberada nas ruas, a propaganda eleitoral não poderá ser transmitida no rádio e na televisão. Nesse caso, os programas só começam a ser veiculados em 19 de agosto, no horário eleitoral gratuito, que termina apenas em 2 de outubro. Partidos políticos tinham até sábado para apresentar à Justiça Eleitoral a documentação necessária para obter o registro de seus candidatos. O próprio candidato pode fazer pessoalmente o pedido até segunda, desde que tenha sido escolhido em convenção.   Veja abaixo os principais candidatos na disputa em SP:   Marta Suplicy   Quatro anos depois de perder a eleição para o hoje governador José Serra (PSDB), a ex-ministra Marta Suplicy (PT) se prepara para disputar mais um mandato na Prefeitura de São Paulo com um discurso colado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, associado à mensagem de que agora está amadurecida e mais preparada. "Queremos que a cidade de São Paulo tenha um ritmo de acordo com o que vemos no governo federal", disse o coordenador da campanha, deputado Carlos Zarattini (SP). Parafraseando o próprio Lula, alguns petistas brincam que "nunca na história deste país" um presidente teve uma popularidade tão alta para emprestar a um candidato a prefeito.     Geraldo Alckmin   O candidato do PSDB à prefeitura, Geraldo Alckmin, vai apostar no discurso voltado aos problemas da população mais pobre e destacar a sua experiência como governador para conquistar o voto da periferia. Comparações, por enquanto, estão vetadas, sejam com a gestão da ex-prefeita Marta Suplicy (PT) ou de Gilberto Kassab (DEM). "A história do governo do Geraldo tem uma dimensão tão importante que não vamos por esse caminho", diz o coordenador-geral da campanha tucana, deputado Edson Aparecido. Ao manter as comparações fora da campanha, Alckmin evita o constrangimento de apontar deficiências da gestão Kassab. É o eleitorado de Marta na periferia que Alckmin vai perseguir. Para isso, se apresentará nessa eleição como "gente do povo", "o prefeito que gosta de dialogar e ouvir a população".     Gilberto Kassab   Para transformar em votos a aprovação de sua gestão na Prefeitura de São Paulo - segundo o Ibope, é de 50% - e reverter sua desvantagem em relação aos adversários, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) vai se apresentar ao eleitorado como o anti-PT da disputa sucessória.A estratégia é polarizar a disputa com a ex-prefeita Marta Suplicy (PT), puxando o embate para a comparação entre os dois governos. Assim, ele espera enfraquecer o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). A avaliação da coordenação de campanha é que o tucano perde forças, se for isolado do embate.   Paulo Maluf   Ancorado no quarto posto nas pesquisas de intenção de voto, o candidato Paulo Maluf (PP) pretende apresentar-se como o autêntico oposicionista. Vai dizer que Gilberto Kassab (DEM), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marta Suplicy (PT) já fazem parte do poder. "Ele pode mostrar que seus adversários estão ou estiveram recentemente no poder e não resolveram os problemas da cidade", diz Marcelo Teixeira, marqueteiro do ex-prefeito. Atacar candidatos, porém, não será a principal marca de campanha. "Ela será propositiva", define Teixeira.   Soninha Francine   A candidata do PPS à Prefeitura, a vereadora Soninha, não deve bater forte nos concorrentes na campanha. Pode até elogiar algumas iniciativas deles, como anotou no rascunho de seu programa de governo: "Dar continuidade ou aproveitar idéias de outras administrações." Há quem diga que com essa atitude paz e amor, a candidata, que foi cogitada para ocupar o cargo de vice nas chapas de Gilberto Kassab (DEM) e Geraldo Alckmin (PSDB), esteja se cacifando para o segundo turno. Mas pode ser mais do que isso.    Ivan Valente   O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) não pretende fazer concessões na campanha: todas as propostas de seu pré-programa de governo apontam para um "horizonte socialista". O que isso significa na prática? Pegue-se o exemplo do caos do trânsito: enquanto os concorrentes preparam propostas para acomodar melhor os automóveis nas ruas, o candidato do PSOL, deputado federal Ivan Valente, vai dizer que o mal é o automóvel. Quer substituir o conceito de transporte individual pelo conceito coletivo.   (Com Ricardo Brandt, Silvia Amorim, Roldão Arruda, Clarissa Oliveira, Moacir Assunção e Tatiane Matheus, de O Estado de S. Paulo)

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