Candidatos no Pará fazem 'guerra de mídia'

Ministério Público manda punir veículos acusados de favorecer candidatos e estuda pedir cassação dos registros de candidaturas

FÁBIO BRANDT , ENVIADO ESPECIAL / BELÉM , O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2014 | 02h06

O Ministério Público Eleitoral (MPE) no Pará aponta a existência de uma "guerra de mídia" travada entre veículos de comunicação alinhados aos finalistas da disputa pelo governo local: o candidato à reeleição, Simão Jatene (PSDB), e seu desafiante, Helder Barbalho (PMDB).

O procurador regional eleitoral do Pará, Alan Rogério Mansur Silva, afirma que de um lado dessa disputa estão veículos do grupo de comunicação pertencente à família de Helder Barbalho, filho do senador e ex-governador do Pará Jader Barbalho (PMDB). Esses veículos incluem a TV RBA, retransmissora da TV Bandeirantes, o jornal Diário do Pará e a Rádio Clube do Pará.

Do outro lado, a favor de Simão Janete, o procurador diz que estão os meios de comunicação pertencentes à família Maiorana, como a Rádio Liberal e o jornal O Liberal, e a Rádio Marajoara, do empresário Carlos Santos. A TV Liberal, retransmissora da TV Globo, não tem participado da batalha eleitoral, de acordo com a análise da promotoria.

Em razão da "guerra", Mansur Silva estuda pedir a cassação dos registros de candidatura dos dois finalistas. "A gente está avaliando desde já essa possibilidade. Porque há muitos casos em que existe excesso", afirma o procurador. Ele diz que se o pedido de cassação do mandato for feito, os candidatos podem ter que pagar multa, ficar inelegíveis e, no caso de quem for eleito, perder o mandato. E o Pará precisaria fazer uma nova eleição.

O chefe do Ministério Público do Pará afirma que sua principal preocupação é com TVs e rádios, porque são concessões públicas. "A Lei Eleitoral e a resolução do TSE que regula as eleições deste ano são bastante restritivas com relação às TVs, que não podem defender amplamente um lado desde 1.º de julho", afirma Mansur Silva.

Abuso. Até 17 de outubro, a Justiça Eleitoral do Pará havia recebido 40 representações motivadas por abuso de mídia das duas coligações adversárias. Em 20 delas, o Ministério Público se manifestou pela procedência da reclamação e foi favorável à punição de veículos acusados de favorecer Jatene e Helder Barbalho.

Camilo Centeno, diretor do grupo RBA, que pertence à família Barbalho, afirmou que as acusações do Ministério Público representam "uma violência". "Nunca pedimos voto para o Helder. Fazemos trabalho jornalístico", disse.

O governador do Pará e candidato à reeleição, Simão Jatene, afirmou que "de jeito nenhum" o Grupo Liberal e a Rádio Marajoara atuam em conjunto com sua campanha. Jatene disse que sua única relação com a família Maiorana e com o empresário Carlos Santos é ser um cidadão do Estado onde estão os negócios dessas pessoas.

O advogado Elson Soares, representante da Rádio Marajoara e comentarista da rádio, afirmou que a emissora é "independente". "Não existe nenhuma condenação transitada em julgado. Ganhamos a maioria e dois estão com recurso", afirmou. A reportagem não conseguiu contato com representantes legais do Grupo Liberal.

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