Candidatos mantêm campanha após ameaça a jornalistas

Mesmo com a intimidação de traficantes, candidatos no Rio pretendem manter as visitas em favelas

ROBERTA PENNAFORT, Agência Estado

27 Julho 2008 | 18h43

Diante das dificuldades impostas por traficantes de drogas e integrantes de milícias que dominam favelas cariocas, os candidatos à Prefeitura do Rio estão precisando ter jogo de cintura para chegar perto dos eleitores mais pobres. Um dia depois da ameaça feita por criminosos a jornalistas que acompanhavam uma caminhada de Marcelo Crivella (PRB)pela Vila Cruzeiro, sete candidatos ouvidos pelo Estado garantiram que não vão se deixar intimidar pela existência de "currais eleitorais", nem pela presença de bandidos armados durante suas visitas às comunidades.   >> Jornalistas são ameaçados durante campanha eleitoral no Rio   No sábado, 26, fotógrafos de três jornais foram obrigados por traficantes, um deles armado de fuzil, a apagar de suas câmeras fotografias feitas durante o corpo-a-corpo (eles apareciam em imagens registradas quando o candidato tentava cumprimentá-los). Crivella não chegou a ser incomodado. Neste domingo, 27, ele voltou a uma área favelizada: foi à Vila Kennedy, na zona oeste. "Não aceito isso. Fico inconformado ao ver que na cidade em que nasci, eu, senador, tenho que ficar pedindo autorização ou ficar tolerando meninos armados de fuzil", disse o senador do PRB, que está em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto. Ninguém foi visto armado nos pontos por onde ele passou.   Sem intimidação   Jandira Feghali (PC do B), que também foi à Vila Cruzeiro no sábado, 26, contou que nunca passou por constrangimentos, seja a ostentação de armas por bandidos, ou a hostilidade por conta da imposição de "currais". "A gente não vai lá só pedir voto. Ando com lideranças locais que têm trabalhos realizados. Nenhum de nossos 200 candidatos a vereador tem ligação com traficante ou milícia." Eduardo Paes (PMDB) lembrou que nenhum candidato pode prescindir do contato direto com as comunidades. "Mas não vou me submeter a critérios de bandidos".   A fim de evitar que moradores acabem votando em candidatos determinados por bandidos ou que tenham o voto comprado, lideranças da Vila Kennedy promoveram um plebiscito, em maio, do qual escolheram cinco candidatos a vereador. Eles se filiaram ao PTC. "É a população da Vila Kennedy que vai escolher o melhor. Esse é nosso grito de liberdade", explicou o líder comunitário Jorge Azevedo, que faz campanha para os cinco, todos eles moradores antigos.   As denúncias de reserva de votos em favelas deixaram Chico Alencar (PSOL) tão indignado que ele propôs um "pacto democrático contra os feudos eleitorais" para que todos os concorrentes assinem. Assim, eles se comprometeriam a sustar, no Tribunal Regional Eleitoral, os registros dos candidatos a vereador de sua coligação envolvidos com crimes e "com a violência na busca de votos".   Para Fernando Gabeira (PV), é importante que as idas às favelas sejam mantidas, para que os moradores se sintam integrados à cidade. Alessandro Molon (PT) disse que é preciso garantir a integridade dos militantes que moram nas comunidades, mais do que a dos candidatos, que dificilmente seriam alvo de um ataque de criminosos. Solange Amaral (DEM) apontou para o descontrole na segurança pública do Rio.

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