Candidatos gays,lésbicas e travestis crescem 26 vezes desde 1996

O número de gays, lésbicas,bissexuais, travestis e simpatizantes candidatos nas eleiçõesmunicipais aumentou 26 vezes desde 1996, de acordo comlevantamento feito por associação ligada ao movimento. Em quatro eleições, os candidatos que se encaixam em umadas categorias aumentaram de 6 para 157. Entre os simpatizantesmais famosos estão os candidato às prefeituras do Rio deJaneiro, Fernando Gabeira (PV), e de São Paulo, Marta Suplicy(PT). "A gente não gosta que sejam simpáticos, mas aliados",disse o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas,Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis,defendendo nova terminologia. Para Reis, o aumento do número de candidatos assumidos sedeve à força e ao trabalho das pessoas que ajudam o movimentona política. O presidente da ABGLT destacou também como fatorfavorável o aumento de organizações não-governamentais eparadas gays pelo país "Nós temos um ambiente muito interessante de respeito",disse Reis, ao descrever o diálogo com os partidos,independentemente da coloração ideológica. "Hoje existe umafrente parlamentar favorável a nossos pleitos com 226 senadorese deputados." A associação se esforça para quebrar resistências epreconceitos e já fez duas reuniões com a bancada evangélica doCongresso para aparar arestas. "Nós não queremos destruir a família de ninguém. A gentequer respeitar a Bíblia e a Constituição", afirmou Reis. O ambiente de maior tolerância desperta nos homossexuaismais confiança para concorrer nas eleições. "Eles se colocam como candidatos na tentativa de fazer umaconstrução dentro das urnas", disse o candidato gay a vereadorno Rio de Janeiro Roberto Gonçale (PSOL). Para os candidatos, o número de casos de violência porhomofobia no país atesta que a sociedade brasileira ainda nãoestá livre do preconceito. Mas concordam que o cenário já estámuito melhor que antes. "A pessoa hoje vê que tem que respeitar a diversidade",disse a travesti e candidata a vereadora em São Paulo, SaleteCampari (PDT). Ela acha que "a campanha é difícil pra todomundo" já que são mais de 200 candidatos concorrendo a apenas55 cargos na Câmara Municipal. Segundo Roberto a grande diferença de 12 anos atrás "é quehoje as pessoas estão com mais condição para lutar contra opreconceito". Dos 157 candidatos, 87 são classificados como aliados e 70são gays, lésbicas ou travestis. O PT é o partido com maiscandidatos na lista da ABGLT. São 52 petistas incluídos em umadas classificações. O PSOL vem em seguida, com 17 candidatos.PSDB e DEM têm cinco candidatos cada, entre eles o aliadoGilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição a prefeito em SãoPaulo. O PMDB, maior partido do país, tem quatro candidatos.

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