Candidatos do RJ ao Senado usam Lula como cabo eleitoral

Em novas peças publicitárias exibidas na televisão, o presidente pede que votem em Lindberg Farias (PT) e em Marcelo Crivella (PRB)

Wilson Tosta, de O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2010 | 18h43

RIO - A cinco dias das eleições e com a disputa pelo governo fluminense virtualmente decidida em favor do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), candidato à reeleição, três dos principais concorrentes às duas vagas do Estado no Senado transformaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu principal cabo eleitoral na disputa. Em novas peças publicitárias exibidas na televisão, o presidente pede que votem em Lindberg Farias (PT) e em Marcelo Crivella (PRB) - em seu anúncio, Lindberg dá um barulhento beijo na mão de Lula, agradece e promete não decepcionar. Mais discreto, Crivella diz na sua inserção que o apoio muito o "honra". Sem a solidariedade do presidente este ano, Jorge Picciani (PMDB) recorre a um filmete de 2002, quando Lula também o elogiava.

 

Os três candidatos formam com Cesar Maia (DEM), do campo oposicionista, o primeiro pelotão da eleição para senador no Rio. Maia, porém, não recorreu a José Serra (PSDB), que apoia, preferindo peças com declarações de Geraldo Alckmin e Aécio Neves (PSDB). Nos últimos dias de campanha, os quatro postulantes ao Senado estão em ascensão nas pesquisas, em fenômeno que não alterou as posições relativas que têm mantido até agora. Lindberg e Crivella continuam nos dois primeiros lugares, com Maia e Picciani atrás, mas perto, embora sem ameaçar os líderes, segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS), cientista político Geraldo Tadeu Monteiro.

 

"Os quatro têm crescido neste fim de campanha", disse ele ao Estado. "Crivella tem mantido 35% a 36%, com Lindberg um pouco mais à frente. O crescimento do Picciani, encostando no Cesar Maia, não parece ameaçar os dois que estão na ponta." Para o pesquisador, não é possível, porém, assegurar que Lindberg e Crivella serão mesmo os dois escolhidos. "Muitos eleitores só se decidem na última semana. Mas os eleitores indecisos, em geral, tendem a se definir mais ou menos como aqueles que já se decidiram."

 

Os quatro concorrentes têm faixas bem definidas no eleitorado fluminense, com algumas áreas de interseção, segundo o pesquisador. Ex-prefeito de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Lindberg tem muito apoio na região, com bom desempenho também nas zonas norte e sul da capital. Crivella, que é senador em fim de mandato e bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, tem força em áreas populares da zona norte da cidade do Rio de Janeiro e investiu em alianças que lhe abriram espaço em parte da Baixada e no interior. Já Picciani, presidente licenciado da Assembleia Legislativa, é forte no interior, tem recursos financeiros em boa quantidade e o decidido apoio de Cabral - que também apoia Lindberg. Maia tem base mais forte em setores de classe média conservadora da capital.

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