Candidatos debatem durante expediente

Tucanos Matarazzo e Aníbal, e Soninha (PPS) participaram de encontro em horário de trabalho, mas dizem que evento não era eleitoral

Bruno Boghossian, do estadão.com.br, e Julia Duailibi, de O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2011 | 22h40

A menos de um ano da eleição municipal de 2012, funcionários do Estado que pretendem concorrer à Prefeitura de São Paulo participaram de evento público como pré-candidatos durante seus expedientes. Andrea Matarazzo e José Aníbal, do PSDB, e Soninha Francine, do PPS, compareceram, no horário comercial, a debate sobre a Copa do Mundo, no qual foram apresentados como postulantes ao cargo de prefeito.

 

Pré-candidatos tucanos, Matarazzo e Aníbal são secretários estaduais de Cultura e de Energia, respectivamente. Soninha, que pretende concorrer pelo PPS, é superintendente da Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades (Sutaco), entidade ligada à Secretaria do Emprego e Relações de Trabalho.

 

Os três estiveram na segunda-feira no seminário São Paulo na Copa do Mundo em 2014, organizado pela revista Brasileiros, no Museu do Futebol. Aníbal e Matarazzo disseram que foram com o carro da secretaria ao encontro por entenderem que se tratava de um evento oficial. Soninha afirmou que usou o metrô.

 

A mesa da qual os pré-candidatos participaram começou às 14h30 e se estendeu até às 16 horas. As palestras dos três foram apresentadas pela organização com o nome: "Mesa 3 - prefeitos de São Paulo em 2014".

 

Apesar de terem sido apresentados no material de divulgação como possíveis "prefeitos em 2014", os três disseram ao Estado que não foram convidados por serem pré-candidatos. Segundo eles, o convite teria sido feito em razão de seus trabalhos nas secretarias estaduais e de suas experiências profissionais.

 

Os outros dois pré-candidatos do PSDB à Prefeitura, o deputado Ricardo Tripoli e o secretário Bruno Covas (Meio Ambiente), não foram chamados. O pré-candidato do PT, ministro Fernando Haddad (Educação), foi convidado e o seu nome chegou a circular no material de divulgação. Mas, segundo a sua assessoria, ao tomar conhecimento da configuração do evento, teria decidido ficar em Brasília.

 

Trabalho. Aníbal disse que não tem horário de trabalho fixo. "Ontem fiquei até às 23 horas no Palácio (dos Bandeirantes)", afirmou. "Temos atividades sábado e domingo. Um secretário de Estado não trabalha menos de oito horas por dia. Em geral, trabalha mais", completou.

 

O secretário declarou que o convite foi feito com o foco na "questão energética". "Fui enfático em dizer que estamos trabalhando em assegurar a segurança energética na Copa naquela região", afirmou ainda Aníbal.

 

Matarazzo também afirmou que o encontro não tinha caráter eleitoral. Disse ter sido chamado "especificamente" para falar de cultura na Copa do Mundo. "Fui dizer o que a secretaria está fazendo. Respondi a duas perguntas e fui embora", declarou. "A campanha em que tenho que fazer é no diretório do PSDB."

 

Soninha disse ter participado do seminário "como personalidade ligada tanto à política quanto ao esporte". Ela afirmou ainda que o convite enviado a ela pelos organizadores do evento não mencionava a questão das pré-candidaturas. "Meu expediente não é do tipo das 8h às 18h. É expediente por tarefa, por missão cumprida. Não tem horário fixo nem para começar nem para terminar", afirmou Soninha.

 

"Não posso usar recursos do lugar onde trabalho para fazer atividade político-partidária. Foi só no meu tempo, que é estendível. Fui tomando uma vitamina de banana no metrô porque fiquei trabalhando na hora do almoço", disse ela.

 

Outros funcionários públicos participaram do encontro.

 

Segundo o publisher da Brasileiros, Hélio Campos Mello, os pré-candidatos não sabiam da configuração do encontro quando foram convidados. "Mas, quando montamos a programação, colocamos uma mesa com esse título de ‘Prefeitos em 2014’", afirmou. "Não fiz referência a essa condição de pré-candidatos durante o evento."

 

No domingo, os pré-candidatos se reuniram com o governador Geraldo Alckmin para discutir as prévias. Na ocasião, foi dada orientação aos tucanos para que não comparecessem à reunião com os carros oficiais.

 

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