Candidatos de SP trocam farpas sobre ciclovias

Serra defende política para bicicletas feita pela Prefeitura; Haddad e Chalita criticam Kassab

Paula Bonelli e Guilherme Waltenberg

16 de julho de 2012 | 03h04

Os candidatos à Prefeitura de São Paulo usaram o tema das ciclovias e a política para bicicletas em São Paulo para trocarem farpas durante campanha pela cidade. José Serra (PSDB), Fernando Haddad (PT) e Gabriel Chalita (PMDB) pedalaram no fim de semana em diferentes pontos da capital e enalteceram projetos criados por eles que priorizam o meio de transporte.

Em visita ao Festival do Japão, na zona sul, Serra afirmou nesse domingo, 15, que as políticas voltadas para a bicicleta começaram durante a sua gestão como prefeito (2005-2006). "Até 2005, quando eu assumi a Prefeitura, ninguém tinha feito nada em matérias de transporte de bicicleta", disse o tucano, que pedalara pela zona leste da cidade no sábado.

Para Serra é "positivo" que o tema tenha entrado na agenda de outros candidatos. "É importante que aprendam direito o que é que existe, inclusive nas escolas. Tem um programa que chama Escola de Bicicleta, feito pela Secretaria Municipal (o seu vice, Alexandre Schneider, foi o secretário de Educação), que tem inclusive bicicletas de bambu."

Haddad, que pedalou ontem pela região central da cidade, disse ter sido "o primeiro ministro da Educação a incorporar bicicletas ao sistema escolar". Durante o passeio, aproveitou para criticar, de maneira indireta, políticas da gestão de Gilberto Kassab (PSD), que tem como uma de suas bandeiras a construção de ciclofaixas ligando parques da cidade nos domingos e feriados.

O petista foi além e criticou a atual gestão de transportes da Prefeitura, que ele acusa de ter promovido um "ciclo perverso" com a "falta de investimentos". "O que essa administração fez foi paralisar os investimentos em transporte público", disse.

Haddad afirmou que, se eleito, bicicletas seriam tratadas como um "modal". "A bicicleta é um meio integrável aos transportes públicos. Ela tem um caráter como transporte modal."

O candidato colocou em dúvida os cálculos da extensão das faixas de bicicletas na cidade, citados por Serra no dia anterior - o tucano havia falado em 183 km. Nesse domingo, indagado sobre a importância que o tema bicicletas ganhou na campanha, Serra confirmou o número e disse: "Estamos apenas prestando contas e dizendo o que vamos fazer para a frente. Não tem factoide nisso".

Após pedalar também pelo centro da cidade, no sábado, Gabriel Chalita chamou de "insuficiente" a atual política municipal para ciclistas. Indagado sobre como avaliava as ciclofaixas e os pontos de empréstimo de bicicleta, o peemedebista disse que no discurso a política "é boa, mas na prática é muito tímida".

"Já poderia ter sido feito muito mais. Quantos quilômetros de ciclovia ele (Kassab) fez mesmo como prefeito?", questionou. Na mesma linha de Haddad, Chalita defendeu as bicicletas como transporte público.

Propostas. Serra propõe atingir a marca de 400 quilômetros de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas até 2016 e promover a educação para o trânsito de bicicletas. Haddad quer incorporar bicicletas públicas ao bilhete único e aumentar o número de bicicletários. Chalita afirmou que sua equipe estuda realizar um plano cicloviário para a capital e, assim como Serra, quer atingir a marca de 400 quilômetros de ciclovias, se vencer a eleição.

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