Candidatos de SP inflam números durante debate

Marta e Kassab erram dados, distorcem a realidade e omitem informações em meio ao clima tenso no duelo inaugural do segundo turno na TV

Moacir Assunção e Roberto Almeida, O Estadao de S.Paulo

14 de outubro de 2008 | 00h00

Números apresentados no debate realizado anteontem pela TV Bandeirantes pelos candidatos à Prefeitura de São Paulo Marta Suplicy (PT) e Gilberto Kassab (DEM) não correspondem à realidade. Em meio à troca de acusações, que delinearam o clima tenso da disputa, Marta e Kassab inflaram realizações de suas gestões e atropelaram dados da administração do oponente em busca da atenção do eleitorado. Mais informações sbre as Eleições 2008 Enquete: estado civil do candidato interfere no voto?A estratégia foi a mesma adotada no primeiro debate deste ano, quando a checagem de fatos realizada pelo Estado encontrou inconsistências nos discursos de ambos. Kassab, por exemplo, não está triplicando o número de telecentros na cidade, como afirmou. Ele precisa inaugurar mais de 60 unidades em dois meses para atingir tal feito - quase a metade dos equipamentos inaugurados desde 2005. Já o índice de mortalidade materna não aumentou em sua gestão, como acusou Marta. Ele está menor, de acordo com dados levantados pelo Movimento Nossa São Paulo, que tem 2007 como ano base.Superfaturamentos e omissões dos candidatos chegaram até a usina de asfalto da cidade. O prefeito se disse que atualmente produz 2 mil toneladas do produto ao dia, contra apenas 100 toneladas da gestão anterior. O fato, porém, é que a produção antes d e Kassab comprar novos equipamentos era de 40 toneladas por hora.Em um ponto Marta acertou. Ela citou a diminuição na velocidade dos corredores de ônibus e as falhas no sistema de radares. Kassab, por sua vez, enganou-se ao dizer que Taipé, capital de Taiwan, é a única cidade com internet sem fio grátis. Experiências já foram adotadas com sucesso em pequenas cidades brasileiras. A questão do pedágio urbano constituiu-se na principal polêmica entre os candidatos. Marta acusou Kassab de manter a proposta de pedagiar carros que circulam pelo centro da cidade. "O projeto que está na Câmara, a segunda versão, fala em pedágio urbano sim. Ele (Kassab) na propaganda fala que não vai fazer, mas o projeto está lá. Por que não tirou (o projeto)?", questionou a petista. Kassab respondeu ser mentirosa a acusação da adversária. "Esse projeto não existe. Foi um equívoco", defendeu-se. A segunda versão - conforme a chamou Marta - prevê, em seu artigo sexto, que trata de transporte, a "restrição gradativa e progressiva do acesso de veículos de transporte individual ao centro, considerando a oferta de outros modais de viagens".O texto, genérico, não define qual método será utilizado para a restrição. Para o especialista em trânsito e transporte Sérgio Costa, a restrição nada mais é que pedágio urbano. "Considero isso um absurdo, já que o cidadão é mais uma vez punido, mesmo pagando imposto verde no combustível, zona azul e vários outros tributos que, em tese, vão para a melhoria do transporte público."O vereador José Police Neto (PSDB), líder do governo na Câmara, nega: "A questão é só conceitual. Trata-se de um esforço de planejamento para chegar à diminuição de emissões de gases tóxicos".No horário eleitoral gratuito, os dois candidatos procuraram se mostrar como vencedores do debate. A propaganda de Marta voltou a acusar Kassab de propor o pedágio urbano. A campanha do DEM afirmou que a petista estava "nervosa e agressiva".

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