Candidatos assediam indecisos para definir substituto de Arruda

Seis chapas estão na disputa pela vaga deixada pelo governador cassado José Roberto Arruda

Carol Pires, do estadão.com.br

16 de abril de 2010 | 11h52

A data da eleição indireta que escolherá o novo governador do Distrito Federal foi marcada há 24 dias. Mas só nesta sexta-feira, 16, a um dia do pleito, o cenário ficará mais claro. Seis chapas estão na disputa pela vaga deixada por José Roberto Arruda. Acusado de chefiar o esquema de corrupção conhecido como "mensalão do DEM", Arruda foi cassado pela Justiça Eleitoral por infidelidade partidária.

 

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https://www.estadao.com.br/estadao/novo/img/icones/mais_azul.gifConheça os candidatos que disputarão as eleições indiretas no DF

 

O governador interino, Wilson Lima (PR), largou como franco favorito, mas foi perdendo força ao longo da corrida. Nesta sexta-feira, porém, os deputados do DEM sentam para definir apoio a um candidato e podem somar dois votos a mais ao grupo de sete parlamentares que já definiram apoio a Lima. Outros três deputados indecisos estão sendo assediados pelo governador. Se todos votarem nele - os sete apoiadores, os dois do DEM e os três indecisos - ficará faltando apenas um voto para Lima ganhar no primeiro turno.

 

O senador Gim Argello, presidente do PTB-DF, também afirma que entrará em campo hoje em busca de apoio a Luiz Felipe Coelho, ex-presidente da OAB-DF, e candidato do partido. O senador disse ao portal do Estadão que não havia mergulhado nas negociações até agora para evitar a associação da candidatura de Coelho a eleição indireta à dele a eleição direta, em outubro. Mas, apesar de anunciar a pretensão de buscar votos para Coelho, Gim Argello faz uma previsão pessimista: "A eleição deve ficar ente o Lima e o Rogério Rosso (PMDB)".

 

O PTB faz parte do chamado "Grupo dos 10", que vem se reunindo diariamente para discutir a eleição indireta. O objetivo do grupo e ter um candidato único que bata Wilson Lima na disputa. Isto porque Lima é apoiado por Joaquim Roriz (PSC), ex-governador do DF, e pré-candidato a eleição de outubro. Roriz foi governador por três mandatos. Quer um quarto e aparece nas pesquisas como favorito. Tirando Roriz da disputa, todos os demais partidos teriam maiores chances na eleição de outubro, quando será eleito um governador para um mandato de quatro anos.

 

Nesta sexta-feira, na hora do almoço, o grupo dos 10 volta a se reunir e pode avançar num acordo de ter um candidato único, que poderia ser ou Luiz Felipe Coelho, do PTB, ou Rogério Rosso do PMDB. "A candidatura do Rosso tem grandes expectativas", afirma Tadeu Filippelli, presidente do PMDB-DF.

 

PT pode ser fiel da balança

 

Indefinição também entre o PT, que disputa a corrida com Antonio Ibañez. Os quatro deputados do partido votarão no candidato, mas dificilmente conseguirá mais apoio entre outros parlamentares, todos da antiga base aliada de José Roberto Arruda. O deputado Reguffe, do PDT, era o único considerado apoiador certo da candidatura petista, mas agora já fala em se abster na eleição.

 

Se não conseguir ter um bom desempenho para levar o candidato para o segundo turno, o PT será o fiel da balança em uma eventual segunda rodada de votação. E colocará na balança os interesses do partido em âmbito nacional. O deputado Paulo Tadeu, líder do PT, evita comentar este aspecto das negociações. "Se o PT não for para o segundo turno o critério será manter a posição "anti-rorizista".

 

Apoiando o PTB de Luiz Felipe Coelho, endossaria um segundo palanque para Dilma Rousseff, uma vez que Gim Argello promete dar palanque para a ex-ministra. O primeiro palanque de Dilma será ao lado de Agnelo Queiroz, candidato petista a um mandado de governador por quatro anos, que será escolhido em outubro.

 

Mas, ao apoiar o PMDB de Rogério Rosso, o PT fortalece as conversas em curso com o PMDB, que poderá apoiar a candidatura de Agnello, somando mais cinco minutos de tempo na TV e no rádio durante a campanha local. Fortalecer a candidatura de Agnello seria, em outra instância, fortalecer a de Dilma. O diretório do PT tem reunião marcada para sábado de manhã para definir quem apoiará no segundo turno se o candidato dele perder no primeiro.

 

Eleição

 

A eleição está marcada para às 15h de sábado. Seis chapas disputam a eleição: PMDB, PTB, PV, PR, PCdoB, PRB. Se estas várias candidaturas forem mantidas, o vencedor precisará ter 13 votos, no mínimo, para ser eleito. São 24 os deputados distritais. Se nenhum alcançar este placar, os dois mais votados seguem para o segundo turno.

 

O PV desistiu, na quinta-feira, da candidatura. Se até sábado outras chapas pularem fora do barco e eventualmente sobrarem apenas duas, a maioria simples dos deputados decide a eleição. Por exemplo: se apenas 13 deputados comparecerem (mínimo exigido), sete votos decide o pleito.

 

No entanto, os 24 deputados devem estar presentes. A deputada Érika Kokay, do PT, que sofreu um enfarte no último dia 2, voltará da licença médica no sábado, para votar na escolha no novo governador. A última vaga em aberto na Câmara também foi preenchida esta semana, com a volta de Geraldo Naves (sem partido, ex-DEM), que estava preso em caráter cautelar por envolvimento na tentativa de suborno a uma testemunha do "mensalão do DEM".

 

O possível segundo turno será realizado ainda no sábado. O presidente da Câmara, Cabo Patrício (PT), não definiu, porém, de quanto tempo será o intervalo entre um turno e outro.

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