Candidatos ao senado e governo, Cesar Maia (DEM) e Fernando Gabeira (PV) revelam apoios de plano nacional

Cesar Maia (DEM) revela apoiar José Serra, enquanto Fernando Gabeira (PV), a candidata Marina Silva

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2010 | 19h00

Para manter a aliança de quatro partidos de oposição no Rio de Janeiro, o PSDB propôs um modelo inusitado de campanha eleitoral, em que o ex-prefeito Cesar Maia (DEM), que disputará uma vaga no Senado, pedirá votos de forma totalmente independente do candidato ao governo, deputado Fernando Gabeira (PV). No plano nacional, Maia apoiará o tucano José Serra e Gabeira, a senadora Marina Silva.

 

Com isso, os tucanos esperam resolver o impasse provocado pelos verdes, que rejeitam a presença de Maia na chapa, alegando que o ex-prefeito tira votos de Gabeira, especialmente entre os eleitores de classe média. Sem o DEM, o PSDB não manterá a coligação com o PV e o PPS. Cesar Maia já aceitou o formato proposto. Gabeira diz que só vai se manifestar depois do lançamento da candidatura de Serra à Presidência da República, nesta sexta-feira, 9, em Brasília.

 

Se vingar a "solução tucana", Maia não deverá sequer citar o nome de Gabeira em seu material de campanha, apenas o de Serra e dos partidos que integram a coligação. O candidato a governador, por sua vez, também omitiria qualquer referência à candidatura de Maia para o Senado. Candidatos a deputado fariam livremente campanha para Gabeira e para Serra, se forem do PSDB, DEM e PPS, ou para Marina, no caso dos filiados ao PV.

 

Depois do lançamento da candidatura de Serra, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), viajará ao Rio para conversar com representantes do DEM e do PV e levar a proposta de campanhas individuais de Gabeira e Maia, apesar da chapa única. "É uma boa solução. Minha campanha de senador prescinde da aliança. Não sei se me dá mais voto estar ou não na coligação. Mas me submeto ao nosso interesse prioritário, nacional, que é José Serra. A coligação é prioritária para os candidatos a deputados e para Serra", diz Maia.

 

Assim como Gabeira afirma que perde votos se fizer campanha ao lado do ex-prefeito, Cesar Maia diz que o mesmo acontece com sua candidatura, pois parte de seu eleitorado não aprova a aliança com o deputado do PV. "Sou um político de valores conservadores. Minha classe média nunca foi a do Gabeira. A classe média não é só a PUC e o Posto 9", diz Maia, citando pontos da cidade frequentados por moradores mais identificados com o pré-candidato do PV.

 

Apesar do modelo heterodoxo de campanha, os partidos têm motivos para manter a aliança. Ao PV interessa o tempo do PSDB e do DEM no horário eleitoral gratuito de rádio e TV. Tucanos e democratas, por sua vez, não tinham um nome forte para enfrentar o governador Sérgio Cabral (PMDB), que disputará a reeleição. Apesar de Gabeira pedir votos para Marina Silva, os tucanos do Rio também vão atrelar o nome do deputado ao de Serra.

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