Candidatos à Presidência evitam polêmicas em debate morno

Encontro reuniu presidenciáveis Dilma Rousseff, José Serra, Marina Silva e Plínio Arruda em Brasília

André Mascarenhas e Carol Pires,

24 de setembro de 2010 | 00h43

Um debate sem confrontos diretos, marcado por discussões mornas e sem grandes divergências. Foi este o clima do primeiro de uma série de três debates com a participação confirmada dos quatro principais candidatos ao mais alto cargo eletivo do País. No encontro promovido na noite de hoje pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) apenas interagiram quando um comentava a resposta do outro. Não houve perguntas entre os candidatos.

 

O engessamento permitiu poucos momentos de tensão. As provocações, quando feitas, eram sempre de maneira indireta, e se esvaziavam antes que o candidato atingido pudesse se defender. Por exemplo quando Dilma, ao responder sobre se empregaria políticos ficha suja em um eventual governo seu, afirmou que no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não houve nenhum “engavetador geral da República”. A alfinetada se dirigia a Serra, que esteve no ministério de Fernando Henrique Cardos, governo cujo procurador Geraldo Brindeiro recebeu a alcunha. Diferentemente do último encontro em que estiveram os quatro candidatos, na RedeTV, não houve pedido de resposta.

 

Serra também deu suas estocadas, sempre sem ser respondido. Logo no início do encontro, o candidato tucano parecia se referir a Dilma ao criticar “os católicos de ocasião, os católicos de boca de urna”. “Jesus Cristo representa a verdade e representa a Justiça, e é nisso que eu acredito profundamente. Se a nossa política estivesse embebida nesses princípios, não teríamos tanta mentira, tanta enrolação”, provocou. O contra-ataque veio apenas via Twitter, onde o presidente do PT, José Eduardo Dutra, alfinetou: “Fui colega do Serra no senado por 8 anos. Nunca ele fez qualquer referência a Deus ou ao cristianismo em qualquer discurso”.

 

Elogios. Marina, por sua vez, elogiou sempre que pôde o formato, que, na sua opinião, permitiu o debate de ideias. “Para mim é motivo de honra e orgulho estarmos aqui fazendo o debate e não o embate”, disse a candidata, que procurou se contrapor a Dilma ao dizer ser contrária ao aborto, mas favorável a um plebiscito que discuta de forma ampla a questão. Confrontada pela posição da adversária petista, que se disse contrária a ampliação dos casos em que o procedimento é permitido, Marina contra-atacou: “Não faço discurso de ocasião.”

 

Plínio mais uma vez arrancou risos da plateia, e deu uma explicação para seu comportamento. “Eu provoco o riso porque o riso é uma denúncia”, disse. O candidato do PSOL voltou a defender a universalização do ensino público no País, e foi muito aplaudido ao dizer que desapropriaria a Universidade Católica de Brasília, escola em que o debate foi realizado.

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