Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Candidatos à presidência da Câmara se unem para pressionar Maia

Ação conjunta no STF para tentar impedir reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi liderada pelo deputado Júlio Delgado (PSB-MG)

Isadora Peron e Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2017 | 18h46

BRASÍLIA - Quatro candidatos à presidência da Câmara entraram com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar impedir a reeleição do atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao cargo. A estratégia conjunta foi liderada pelo deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que lançou a sua candidatura nesta segunda-feira, 30. Também assinaram a peça os deputados Jovair Arantes (PTB-GO), André Figueiredo (PDT-CE) e Rogério Rosso (PSD-DF).

Os quatro alegam que a candidatura de Maia é inconstitucional, porque um deputado não poderia disputar a reeleição à presidência da Casa na mesma Legislatura. Aliados de Maia, porém, sustentam que ele foi eleito para um mandato-tampão, e que, por isso, a sua candidatura seria legítima.

A união dos adversários de Maia, porém, vai além da questão jurídica. Os quatro candidatos decidiram atuar conjuntamente para tentar levar a disputa para o segundo turno. Até semana passada, a expectativa era que o atual presidente da Câmara conseguiria os votos necessários para se reeleger já no primeiro turno.

"Nós já tínhamos dito que não estávamos preocupados com essa questão de Justiça. Estávamos preocupados em fazer campanha, rodamos os 27 Estados, mas não podemos concordar com essa insegurança jurídica", afirmou Jovair.

Diante do favoritismo de Maia, Delgado decidiu colocar o seu nome na disputa, mesmo depois de o seu partido ter anunciado apoio a Maia. Rosso também foi convencido por integrantes do antigo Centrão, grupo de partidos que ganhou força durante a presidência do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a retomar a campanha para roubar votos de Maia. O seu partido, o PSD, também já declarou apoiar a reeleição do atual presidente da Câmara.

Até quinta-feira, novas candidaturas à presidência Câmara devem surgir. O PSOL vai ser reunir amanhã para deliberar sobre o assunto. O PT, depois de abandonar a ideia de fechar uma aliança com Maia por pressão da base, também estuda a possibilidade de lançar um nome para a disputa, mas o mais provável é que apoia a candidatura de Figueiredo, único nome da oposição até agora na disputa.

Segundo turno. Aliado do atual presidente da Casa, o líder do DEM, deputado Pauderney Avelino (AM), ironizou o fato de quatro candidatos à presidência da Casa terem entrado com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal para tentar impedir a reeleição de Maia. "Se fossem candidatos fortes não iriam precisar estar indo juntos judicializar essa questão, que é uma questão interna da Câmara dos Deputados", disse Pauderney.

Na avaliação do líder do DEM, ao decidirem atuar em conjunto, Jovair Arantes (PTB-GO), Rogério Rosso (PSD-DF), Júlio Delgado (PSB-MG) e André Figueiredo (PSD-CE) têm como objetivo levar a disputa para o segundo turno.

Pelas contas de Pauderney, porém, essa articulação não dará resultado e Maia, que ainda não oficializou a sua candidatura, terá o voto de, pelo menos, 320 deputado, número suficiente para garantir a vitória no primeiro turno.

Apesar do discurso otimista, a união dos adversários de Maia pegou de surpresa o líder do DEM. Depois de se deparar com a entrevista conjunta dos quatro candidatos no Salão Verde da Câmara, Pauderney ligou para avisar o atual presidente da Câmara que o número de candidatos ao cargo havia aumentado.

A eleição da Câmara está marcada para a próxima quinta-feira, 2. Para ganhar no primeiro turno, um candidato precisa conquistar a metade mais um dos votos dos presentes. A votação só começa com a presença de 257 dos 513 deputados.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.