Dida Sampaio / AE - 12/6/2010
Dida Sampaio / AE - 12/6/2010

Candidato oficial, Serra sobe o tom e ataca ‘neocorruptos’ e aparelhamento

Na convenção do PSDB em Salvador, tucano critica líderes que tentam personificar o Estado

Julia Duailibi, Luciana Nunes Leal, Christiane Samarco e Tiago Décimo, de O Estado de S. Paulo,

12 de junho de 2010 | 15h36

Na intervenção pública mais contundente já feita, o candidato tucano à Presidência da República, José Serra, fez neste sábado, 12, na convenção nacional, em Salvador, um forte discurso de oposição no qual atacou o apadrinhamento, o aparelhamento do Estado e os políticos "neocorruptos".

 

O tucano desfiou um rosário de "verdades eternas", tratadas como valores dele e de seu governo, se for eleito em outubro.

 

Sem falar explicitamente o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Serra comparou as suas "crenças" com as práticas de oito anos de PT no poder, disse que os chefes de governo não podem acreditar que personificam o Estado e, citando Luis XIV, acrescentou: "Nas democracias e no Brasil, não há lugar para luíses."

 

Além da defesa do Estado de Direito e da crítica a quem "desdenha a democracia nas ações diárias", Serra disse que o Brasil precisa se afastar de "três recordes internacionais": uma das menores taxas de investimento público do mundo, a maior taxa de juros do mundo e a maior carga tributária de todo o mundo em desenvolvimento. O tucano repetiu a biografia apresentada na pré-convenção, em Brasília, em abril passado, falou do político de origem pobre e que estudou em escola pública, e concluiu: "Não comecei ontem, não caí de paraquedas" e, "comigo, o povo brasileiro não terá surpresas."

 

‘Acredito’

 

Ao longo do discurso, Serra citou 13 vezes a palavra "acredito" para se diferenciar do governo Lula e do PT. Também citou 9 "necessidades e esperanças" que considera serem objetivos da "maioria dos brasileiros".

 

Na lista das crenças, ao dizer que a democracia não pode ser adotada como um "instrumento tático", acrescentou que esse é o regime e o caminho para melhorar a vida das pessoas. "Não é com o menosprezo ao Estado de Direito e às liberdades que vamos obter mais justiça social duradoura."

 

Ao tratar dos sindicatos, cooptados pelo governo Lula com a legalização das centrais e a distribuição do imposto sindical pago pelos trabalhadores, Serra criticou as "organizações pelegas sustentadas com dinheiro público" e defendeu a liberdade de imprensa e de organização social - que não devem, afirmou, ser "intimidades, pressionadas e patrulhadas pelos governos e partidos" .

 

Ao criticar duramente o governo Lula, reforçando o papel de adversário da atual gestão petista, o tucano fez inflexão em relação à posição de cautela adotada na fase de pré-campanha e durante os mais de três anos que comandou o Palácio dos Bandeirantes.

 

"Quem justifica deslizes morais dizendo que está fazendo o mesmo que os outros fizeram ou que foi levado a isso pelas circunstâncias deve merecer o repúdio da sociedade. São os neocorruptos", declarou o candidato, em discurso de mais de 40 minutos para uma plateia de cerca de 5.000 pessoas, no Clube Espanhol, em Salvador.

 

Ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso, ex-prefeito de São Paulo e ex-governador, Serra enfatizou a sua trajetória - uma das estratégias do PSDB é a comparação de biografias. Sem citar a adversária Dilma Rousseff (PT), o tucano falou sobre falta de experiência política da petista que nunca disputou eleição. Foi quando disse a frase: "Não comecei ontem e não cai de para-quedas." Serra se apresentou como o candidato da moralidade e da defesa da ética. Criticou a atual relação com o Congresso, que, segundo ele, não deve ser "uma arena de mensalões, compras de votos e de silêncio".

 

Ditadores do mundo

 

Falou também de política externa. "Acredito nos direitos humanos dentro do Brasil e no mundo. Não devemos elogiar continuamente ditadores de todos os cantos do planeta só porque são aliados eventuais do partido do governo." Foi uma referência direta à aproximação do presidente Lula com o Irã e a Venezuela.

 

Serra criticou o "desprezo" da atual gestão pelos órgãos de controle, como Ministério Público e Tribunal de Contas da União. "Prezo as instituições que controlam o Poder Executivo, como os tribunais de contas e o Ministério Público, que nunca vão ser aprimoradas por ataques sistemáticos de governos que, na verdade, não querem ser controlados."

 

Promessas

 

O tucano fez promessas para áreas de educação e saúde. Disse que, se eleito, abrirá 1 milhão de vagas em escolas técnicas. Falou na construção de 150 Ambulatórios Médicos de Especialidades em todos os Estados. E aproveitou o tema da saúde para, novamente, atacar o governo. Serra, que até então falava que a saúde "não avançou", ontem usou a expressão "retrocesso" ao traçar o diagnóstico do setor.

 

O evento de lançamento da candidatura contou com caciques do PSDB, DEM e PPS, como o ex-governador Aécio Neves e o presidente tucano, Sérgio Guerra. FHC mandou um vídeo que foi exibido durante o encontro.

Tudo o que sabemos sobre:
EleiçõesSerraDilmacandidatura

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.