Candidato do PP faz propaganda eleitoral erótica, mas critica beijo gay em vídeo do PSOL

Na avaliação do candidato do PP, a propaganda do PSOL é 'tosca'

Carol Pires, do estadão.com.br

20 de agosto de 2010 | 17h02

BRASÍLIA - Uma mulher de biquíni se espreguiça numa cama. Ela levanta, de costas para a câmera, deixando as nádegas à mostra. Dirige-se ao banheiro, mas, ao chegar ao vaso sanitário, ela faz xixi de pé. A propaganda termina com a mensagem: "Jefferson Camillo, diga sim ao novo". Veja o vídeo aqui.

 

Em outro vídeo, um homem negro toma banho de chuveiro vestindo apenas uma sunga azul. No fundo, toca uma música romântica. O telefone, então, toca e o homem, recém saído do banho, atende. "Oi, querida. Não, não estou sozinho. Estou com o Jeferson Camillo", diz ao telefone, no que é abraçado por trás por um homem loiro vestindo um roupão de banho. Veja o vídeo aqui.

 

Os vídeos, insinuantes, todos gravados em um quarto de motel por atores, foram colocados na internet pela campanha de Jeferson Camillo, candidato a deputado federal pelo PP de São Paulo. Em outro vídeo, um homem e uma mulher tomam banho numa banheira, quando uma terceira pessoa entra na água. A mensagem, desta vez, é: "Experimente algo novo. Com certeza você vai gostar". Veja o vídeo aqui.

 

O eleitor que se interessar pela banheira da "diversidade", explorada pelo candidato na propaganda política, no entanto, irá perder a viagem se tentar encontrar as propostas dele no site oficial da campanha. No página na internet, Camillo, advogado, jornalista e professor, defende projetos de moradia, saúde, segurança, entre outros que não incluem defesa da diversidade sexual.

 

A biografia do candidato afirma que ele é "muito família". "Característica típica de bauruense, quase todos os finais de semana aproveita para visitar o pai, a irmã, sobrinhos e também os amigos de infância com os quais, eventualmente, acaba encontrando nestas idas e vindas à Bauru". Na carreira profissional, dá destaque para o cargo de procurador nacional da Associação dos Policiais Civis, Militares e Funcionários Públicos dos Estados Federativos do Brasil (ASBRA), e procurador-geral do Sindicato dos Compositores e Intérpretes do Estado de São Paulo (SINDCIESP).

 

A assessoria da campanha confirma que os temas polêmicos abordados nos vídeos têm o propósito de levar o eleitor a pesquisar sobre as "reais" propostas do candidato no site dele. "Como chamar a atenção com temas normais em meio a tantas bizarrices postadas, bizarrices que deixam os meus vídeos no chinelo?", questiona Camillo. "Não tenho como negar que estas provocações já estão produzindo os efeitos e objetivos buscados neste trabalho de ganhar destaque nesta campanha, competindo com centenas de candidatos e tendo 5 segundos em rede nacional", completa o candidato, ao afirmar que já estava preparado para reações positivas e negativas.

 

Críticas ao PSOL

 

Apesar de apostar em vídeos polêmicos, Jeferson Camillo não gostou quando a estratégia foi aplicada pela campanha do PSOL. Ele critica a "ousadia" do partido adversário ao veicular no seu espaço do horário eleitoral na TV a imagem de dois homens se beijando. Veja o vídeo aqui.

 

Na avaliação do candidato do PP, a propaganda do PSOL é "tosca" enquanto os vídeos seriam apenas "insinuações". "A maldade com relação a qualquer um dos nove vídeos lançados na internet ficou por conta da imaginação das pessoas", afirma.

 

Jeferson Camilo diz ter investido nas propagandas na internet por ter apenas 5 segundos no horário eleitoral na TV. "Se eu tivesse o tempo que eles têm, certamente, o usaria da maneira convencional como todos esperam de um candidato", afirma, em nota encaminhada pela assessoria de imprensa dele. "Agora, o que falar de um partido que invade a casa de milhares de famílias, usando um tempo precioso e suficiente para mostrar resultados e propostas, mas prefere colocar dois homens se beijando e com repetições para que não fique dúvida?".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.