Candidato do governo à presidência da Câmara evita discutir aumento do mínimo

Apoiado pela maioria das legendas com representação no Legislativo, Marco Maia deixou o tema de fora das conversas

MARCELO PORTELA, Agência Estado

25 de janeiro de 2011 | 17h52

Na véspera da reunião do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, com representantes das centrais sindicais para tentar um acordo em torno do aumento do salário mínimo e do reajuste na tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), o candidato do governo à Presidência da Câmara, deputado federal Marco Maia (PT-RS), evitou o assunto nesta terça, 25, ao participar de almoço em Belo Horizonte com deputados estaduais e federais de diversos partidos da base do governo e da oposição.

O parlamentar tem o apoio da maioria das legendas que têm representação na Câmara. Mas, perguntado se isso poderia facilitar acordos em torno de aprovação de propostas como o aumento do mínimo para um valor estabelecido pelo Executivo, Maia preferiu ressaltar o papel do parlamento e deixar o tema fora das conversas, assim como o reajuste na tabela do IRPF defendido pelas centrais sindicais - imbróglio que Carvalho tentará resolver na reunião de amanhã.

Nesta terça, Maia reuniu no almoço até democratas e tucanos como o presidente do PSDB mineiro, Narcio Rodrigues, entre outros. No evento - que teve a presença de 30 parlamentares de 14 partidos -, ele declarou-se a favor da independência do Congresso e disse que, apesar de ser correligionário da presidente Dilma Rousseff, seu papel à frente da Câmara será o de "garantir que os debates aconteçam com a maior tranquilidade possível".

"É importante dizer que não seremos presidente da Câmara da oposição ou da situação. Se as matérias serão votadas de acordo com o interesse do governo ou da oposição, o que vai determinar é o bom debate e a votação que irá acontecer no plenário. O parlamento brasileiro precisa ser independente, autônomo", afirmou.

No entanto, pouco antes, após encontro com o prefeito da capital mineira, Marcio Lacerda (PSB), assumiu que o parlamento vai priorizar a agenda do governo. "O grande tema que está colocado para o Brasil é o combate à pobreza absoluta. A presidente colocou isso na pauta e nós queremos ser coparticipantes nesse processo. A Câmara vai auxiliar em todos os projetos que venham do Executivo, mas também vai votar os projetos dos parlamentares que tratam sobre essa matéria", declarou.

Disputa

Ainda sem saber que a estratégia do governo de trabalhar com candidatura única à Presidência da Câmara havia sido ameaçada pela decisão do deputado Sandro Mabel (PR-GO) de disputar o cargo, Maia afirmou que estava "cumprindo roteiro" pelo País e aproveitou para "pedir o apoio, o voto para essa disputa importante na Câmara dos Deputados que é a eleição da Mesa Diretora".

Até então, Maia era o único postulante à Presidência. "Acho que esse consenso a que poderá chegar minha candidatura até o dia 1º de fevereiro se dá numa visão de construção de fortalecimento do parlamento", disse, antes do anúncio da candidatura do deputado goiano. "Estamos respeitando o critério da proporcionalidade para que todos possam ter representação nos espaços de direção", acrescentou o petista. Ao menos o deputado federal eleito Diego Andrade (PR-MG) participou do almoço com Maia.

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