Candidato cassado no Recife recorre

João da Costa, do PT, tenta reverter decisão de juiz no TRE

Angela Lacerda e Eduardo Kattah, O Estadao de S.Paulo

25 de setembro de 2008 | 00h00

O candidato do PT à Prefeitura do Recife, João da Costa, responsabilizou a oposição pela cassação da sua candidatura, ocorrida anteontem. "Diante da derrota certa nas urnas, tentam calar a voz do povo", disse. Ele identificou a oposição como os adversários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do governador Eduardo Campos (PSB) e do prefeito João Paulo (PT) - seus cabos eleitorais.Lula ficou sabendo por João Paulo da sentença do juiz eleitoral Nilson Nery, que tornou o petista inelegível por três anos por abuso de poder econômico e político. Enquanto a sentença não for confirmada - o PT já recorreu -, Costa segue fazendo campanha. Ontem, o desembargador João Carneiro Campos, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Pernambuco, indeferiu medida cautelar do DEM e decidiu que Costa pode continuar fazendo campanha.O prefeito disse a Lula que gostaria de contar com ele e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em algum evento.Os advogados do PT tentam derrubar a decisão no pleno do TRE, pedindo a reforma da decisão. Segundo o advogado Ricardo Soriano, o recurso alega "fragilidade e falhas na sentença, ausência de provas, nulidades e cerceamento de defesa". No horário eleitoral, João da Costa destacou a convicção de que "a injustiça" será corrigida em instâncias superiores. E buscou desqualificar a sentença do juiz: "Não adianta inventar crime não, porque tem que dizer qual foi o crime. Não tem nenhuma ação que justifique minha inelegibilidade".ACUSAÇÕESNery condenou João da Costa a partir de duas ações impetradas pelo Ministério Público. Primeiro, pela confecção e divulgação, em março, de 50 mil exemplares de uma revista sobre orçamento participativo, com slogan da campanha e listando ações comandadas por João da Costa na Secretaria do Planejamento Participativo. A publicação custou R$ 110 mil.O juiz também levou em conta o suposto uso da Secretaria Municipal de Educação para convocação, via internet, de servidores para participar de atos de campanha em horário de expediente.O ex-governador Mendonça Filho (DEM), que espalhou panfletos sobre a cassação de Costa e distribuiu carros de som em vários pontos da cidade para dar a informação, usou ontem os três minutos do seu tempo na televisão para atacar o adversário. "Agora eles querem se fazer de vítimas", disse. "Não acredite nisso, a vítima dessa história é o povo do Recife, que está vendo o dinheiro dos impostos usado na campanha do candidato João da Costa."Em Belo Horizonte, Eduardo Campos classificou ontem como "monocrática", "frágil" e "não fundamentada" a decisão do juiz. O governador também contestou a acusação e considerou que "de forma nenhuma" há indícios de uso da máquina pública em favor de Costa. "Estamos ganhando a eleição com propostas", ressaltou.

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