Candidato à reeleição tem mais doações

Onze prefeitos arrecadaram mais que todos os concorrentes juntos

Eugênia Lopes e Ricardo Brandt, O Estadao de S.Paulo

20 de agosto de 2008 | 00h00

Onze candidatos à reeleição na prefeitura de capitais arrecadaram mais do que todos os seus 47 adversários juntos. A constatação está na prestação de contas divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).Dos 20 prefeitos que tentam se reeleger, Gilberto Kassab (DEM) é o campeão em arrecadação com R$ 2,6 milhões em doações. Em seguida vem o tucano Beto Richa, de Curitiba, que recebeu R$ 1.227.202,70 para sua campanha. "Isso acontece porque o sistema eleitoral vigente quebra a fronteira entre o público e o privado. É quase uma retribuição às boas relações de vivência com o Executivo. É também como se fosse um adiantamento por um possível bom relacionamento no futuro", diz o deputado Chico Alencar (PSOL), candidato à Prefeitura do Rio. Juntos os 11 candidatos campeões de arrecadação conseguiram R$ 5,9 milhões em doações contra R$ 3,4 milhões obtidos por 47 candidatos a prefeitura das 11 capitais. A petista Gleisi Hoffmann, mulher do ministro Paulo Bernardo (Planejamento), foi a candidata que não disputa a reeleição que declarou o maior volume de doações para sua campanha - mais de R$ 1 milhão, segundo o TSE."O uso da máquina e a pressão do Executivo têm se mostrado um problema. As máquinas são capazes de produzir constrangimento, coações, mas a oposição não tem instrumentos para fiscalizar em todo lugar. Estamos atentos aos casos evidentes de abuso do poder econômico, mas isto acaba ficando a cargo da Justiça Eleitoral", diz o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), que aparece em segundo lugar nas pesquisas, arrecadou individualmente mais do que o ex-deputado Moroni Torgan (DEM), primeiro colocado na preferência do eleitorado da capital cearense. Mas a soma das arrecadações dos sete oponentes da petista é bem superior aos R$ 198 mil obtidos até agora por Luizianne. O prefeito de Salvador, João Henrique (PMDB), que amarga um terceiro lugar na capital baiana, foi o candidato que arrecadou mais recursos individualmente - R$ 503 mil. Mas a soma dos recursos arrecadados por seus quatro adversários chega a mais de R$ 800 mil. A maioria dos campeões de arrecadação lidera as pesquisas de intenção de voto nas capitais. É o caso, por exemplo, dos prefeitos Cícero Almeida (PP), de Maceió; João Coser (PT), de Vitória; Iris Rezende (PMDB), de Goiânia; Nelson Trad Filho (PMDB), de Campo Grande; Ricardo Coutinho (PSB), de João Pessoa; Silvio Mendes (PSDB), de Teresina; Beto Richa (PSDB), de Curitiba; e Edvaldo Nogueira (PC do B), de Aracaju. Uma das exceções é Kassab, que amarga o terceiro lugar. A presidente do Movimento Voto Consciente, Silvia Cosac, avaliou que os dados confirmam a tese de que a campanha eleitoral é "injusta", pois o uso da máquina beneficia o candidato que busca a reeleição.

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