Candidato à reeleição, prefeito usa verba contra seca para festa em PE

Principal adversário do deputado federal Fernando Filho (PSB) na disputa pela Prefeitura de Petrolina, Júlio Lóssio (PMDB) gastou R$ 8 mi em evento; administração nega efeito em programa

Fábio Fabrini, de O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2012 | 03h05

Principal adversário do deputado federal Fernando Filho (PSB) na disputa pela Prefeitura de Petrolina (PE), o prefeito Júlio Lóssio (PMDB) promoveu uma festa junina de R$ 8 milhões às vésperas do período eleitoral, usando um remanejamento de despesas que tirou recursos de secretarias voltadas para o combate à pobreza e à seca.

Descrito pela prefeitura como o maior espetáculo da região, o São João do Vale atraiu para a cidade, de 15 a 30 de junho, astros do forró e do sertanejo como Leonardo, César Menotti & Fabiano, Dominguinhos, Victor & Léo e Paula Fernandes.

O investimento só foi possível por meio de lei sancionada pelo prefeito, que autorizou a anulação de R$ 16,8 milhões em despesas de pelo menos 19 setores da administração, entre eles as Secretarias de Defesa Social, Desenvolvimento Rural e Irrigação. As duas últimas são responsáveis diretas pela assistência à população que sofre com a seca.

Os efeitos da estiagem neste ano são os piores das últimas três décadas em Pernambuco e levaram o prefeito, após a aprovação da lei, a decretar situação de emergência.

O "São João" virou tema de campanha e alvo de denúncias da coligação de Fernando Filho, que tem usado a seca como instrumento de campanha. Como o Estado mostrou ontem, o deputado explora amplamente obras no sertão que solicitou por meio de emendas e cujas verbas foram liberadas pelo Ministério da Integração, comandado pelo pai, Fernando Bezerra Coelho (PSB).

O Ministério Público de Pernambuco informou nessa segunda-feira, 24, que abrirá inquérito para averiguar possíveis irregularidades, entre elas a contratação de empresa sem capacidade econômica para organizar a festa junina.

A festa junina está sendo paga pela prefeitura em seis parcelas. Por ora, o remanejamento total do orçamento em prol do evento chega a R$ 9 milhões.

O prefeito também responde à ação ajuizada este mês por suposta burla à lei para contratar, sem licitação, entidade para execução de um projeto.

Justificativa. A Prefeitura de Petrolina afirma que os cortes não afetaram o combate à seca, mas outras atividades. E que, por meio de proposta enviada à Câmara, pretende incorporar ao orçamento R$ 3,1 milhões para ações como o abastecimento de água. O prefeito diz que a festa valeu a pena, pois rendeu R$ 100 milhões para a economia da cidade. "Espero que tenha me ajudado e que as pessoas tenham reconhecido isso."

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