Candidato à presidência do Senado, Pedro Taques critica adversário e 'empobrecimento da oposição'

A quatro dias da eleição, senador ainda não descarta chapa conjunta com Randolfe Rodrigues (PSOL-AP)

Isadora Peron, de O Estado de S. Paulo,

28 de janeiro de 2013 | 21h16

SÃO PAULO - Senador de primeiro mandato, o mato-grossense Pedro Taques (PDT) afirma que decidiu concorrer à presidência da Casa para forçar um debate sobre o assunto dentro do Senado e diz que o silêncio de seus colegas em relação à volta de Renan Calheiros (PMDB-AL) ao cargo, seis anos depois de ele ter renunciado ao posto sob suspeita de irregularidades, mostra o "empobrecimento da oposição no Brasil". "O Brasil é o único lugar que tem jabuticaba e que tem uma oposição que concorda com tudo que o governo faz", afirmou em entrevista ao Estado nesta segunda-feira, 28.

Apesar de polêmica, a candidatura de Renan tem o apoio do Palácio do Planalto, que preferiu não contrariar a indicação do seu principal aliado politico, o PMDB. Os descontentamentos com a escolha do alagoano, no entanto, começam a surgir. Nesta segunda, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) sugeriu ao peemedebista que desistisse de concorrer ao cargo.

A quatro dias das eleições, Taques critica o fato de Renan não ter oficializado ainda a sua candidatura à presidência, mas ele próprio não descarta a possibilidade de mudar de ideia e lançar uma chapa conjunta com o senador Randolfe Rodrigue (PSOL-AP), que também já declarou estar na disputa. "Estamos conversando", avisa.

Por que o senhor decidiu se candidatar à presidência do Senado?

Nós não podemos ter no Senado um só candidato. Então eu coloco o meu nome à disposição. Não me interessa o número de votos. O que me interessa é que ter um só candidato mostra a pobreza dos debates legislativos no Brasil. Não se pode admitir candidaturas secretas, nós não estamos diante de uma sociedade secreta. Nós precisamos ter candidatos, as pessoas precisam se expor. Nós estamos a quatro dias da eleição e ninguém sabe direito quem é candidato. Isso mostra a pobreza do debate no Legislativo.

Por "candidatura secreta" o senhor se refere ao fato de o senador Renan Calheiros ainda não ter assumido que vai ser candidato?

Exatamente. Eu estou assumindo que sou candidato.

O senador Randolfe Rodrigues também já manifestou que pretende concorrer à presidência da Casa...

Eu incentivo a candidatura dele. Nós precisamos debater os temas nacionais. Veja que todo senador foi eleito, o senador não é ungido para ser senador. Ele foi eleito porque o eleitor entendeu que a sua proposta era melhor do que a do outro candidato. Então como eu posso ter um País em que na casa alta do Legislativo nós não tenhamos debates, se todos nós somos iguais aqui.

Há a possibilidade de senhor e o senador Randolfe Rodrigues lançarem uma candidatura conjunta?

Nós temos uma conversa hoje (segunda-feira) e outras conversas ao decorrer da semana para tratar desse tema. Pois o que nos causa mais espécie é, justamente, a não existência do debate.

Quem apoia a sua candidatura?

O PDT nacional já manifestou apoio. Eu tenho conversado também com alguns senadores do PSDB , que vão discutir essa questão na quinta-feira. Eu espero que quem desejar ser candidato coloque o nome à disposição para que nós possamos debater ideias.

 

Quais as suas principais propostas para a Casa?

A minha primeira proposta é fazer uma pauta dos principais projetos que precisam ser votados. As famosas reformas, como a do Pacto Federativo, precisam ser debatidas. Nós temos que discutir também os royalties do petróleo, do superendividamento dos Estados, dos repasses dos recursos da União para os Estados e municípios.

 

E com relação aos assuntos internos do Senado?

É preciso fazer uma reforma administrativa e ter maior transparência nos gastos do Senado. Por que o Senado gasta 85% do seu orçamento com pessoal? Isso tem que ser debatido. 6.427 servidores é muito ou é pouco? Eu não sei, nós precisamos debater isso.

Como o 'Estado' revelou no domingo, o Senado aumentou os gastos com pessoal em 57% nos dez anos de comando do PMDB. O que o senhor pretende fazer em relação a esse assunto?

Eu acho que essa é uma questão que merece a nossa reflexão, porque o número de senadores não aumentou. São 81 desde a Constituição de 1988. Se esse número não aumentou, por que nós estamos com esse inchaço do serviço público? E isso não ocorre só no Legislativo, isso ocorre no Executivo também. Se você pegar o número de cargos comissionados no governo Fernando Henrique e comparar com o do governo Lula e do governo Dilma, ele tem aumentado assustadoramente. Isso só serve para alguns fazerem barganhas políticas com cargos.

E como o senhor avalia o silêncio do Congresso diante das denúncias contra o favorito para assumir a presidência da Casa, o senador Renan Calheiros?

Esse silêncio mostra o empobrecimento da oposição no Brasil. O Brasil é o único lugar que tem jabuticaba e que tem uma oposição que concorda com tudo que o governo faz. Por isso eu quero um debate entre os candidato à presidência da Casa. Eu quero ouvir o que o Renan Calheiros tem a dizer sobre essas denúncias.

O senador Randolfe Rodrigues disse que Renan Calheiros trabalhou pela "pizza" na CPI de Cachoeira em troca de votos na eleição marcada para a próxima sexta. O senhor confirma essa articulação?

Eu não vi isso. E eu parto da premissa que os senadores e deputados votaram de acordo com a sua consciência. Então, eu não tenho comprovação disso.

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