Candidato a prefeito de Ribeirão é conduzido a depor na PF na Operação Sevandija

Wagner Rodrigues (PCdoB) é presidente do Sindicato dos Servidores da cidade do interior paulista, um dos quatro braços das investigações da PF e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) que apuram o desvio estimado em R$ 203 milhões

Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2016 | 17h48

RIBEIRÃO PRETO - O candidato a prefeito de Ribeirão Preto Wagner Rodrigues (PCdoB) foi conduzido coercitivamente na tarde desta terça-feira, 6, a prestar depoimento na Polícia Federal no curso das investigações da Operação Sevandija, deflagrada em 1º de setembro. Rodrigues é presidente do Sindicato dos Servidores da cidade do interior paulista, um dos quatro braços das investigações da PF e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) que apuram o desvio estimado em R$ 203 milhões. Até as 17h30 ele ainda não havia chegado para depor.

O sindicato é investigado, juntamente com representantes da Prefeitura da cidade paulista, pela suspeita de pagamento de propina por parte de advogados a servidores. Esses funcionários públicos facilitariam a liberação de dinheiro e, consequentemente, de honorários, em uma ação vencida pelo sindicato contra a Prefeitura de correções do Plano Collor, cujo valor é estimado em R$ 800 milhões. Segundo o Gaeco, até agora mais de R$ 300 milhões foram pagos aos servidores na ação e R$ 40 milhões em honorários a advogados.

Segundo o promotor Leonardo Romanelli, Rodrigues vai depor para explicar o processo que levou o sindicato a fazer o acordo na ação. Nesta terça, 6, a PF e o Gaeco fizeram uma ação de busca e apreensão na sede do sindicato à procura de atas de assembleias que comprovariam, ou não, esse acordo.

Contratos. Em outra vertente da Operação Sevandija, a Prefeitura de Ribeirão Preto anunciou o rompimento de contratos para a terceirização de servidores com a empresa Atmosphera. A medida acarretará a demissão de 586 funcionários. Todos eram contratados sob suspeita de indicação de vereadores da base da prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera (PSD), em troca de apoio parlamentar na Câmara, esquema investigado pela PF e pelo Gaeco. Eles cumprirão aviso prévio antes de serem desligados.

Na investigação, nove vereadores da base da prefeita tiveram os mandatos suspensos pela Justiça e, segundo o delegado da PF Flávio Vieitz Reis, os pedidos seguirão mantidos pelos investigadores enquanto durar o processo. De acordo com o delegado, a primeira fase da operação "está por se encerrar". Além das duas investigações, a Operação Sevandija, considerada como o maior caso de corrupção da história de Ribeirão Preto, apura fraudes de licitações no Departamento de Água e Esgoto (Daerp) e na Secretaria de Educação da cidade paulista.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.