Candidato a deputado do PCdoB é acusado de usar banco de dados do ProUni para propaganda eleitoral

E-mail, enviado pela campanha do ex-presidente da UNE Gustavo Petta, tinha como campo de assunto "Mensagens aos ProUnistas"

Rodrigo Alvares, estadão.com.br

01 de setembro de 2010 | 16h28

Dezenas de estudantes bolsistas do Programa Universidade para Todos (ProUni) receberam na última terça-feira, 31, propaganda eleitoral não solicitada enviada pela equipe da campanha do candidato a deputado federal Gustavo Petta (PCdoB-SP). A acusação dos universitários é de que houve uso do banco de dados do programa. O estudante de publicidade Ibrahim Cesar, 21, foi um dos primeiros a alertar para a irregularidade: "Percebi que meu nome estava completo e que a mensagem não era personalizada. Comecei a perguntar às pessoas pelo Twitter e na faculdade".

 

O publicitário não foi o único bolsista do ProUni que recebeu o spam. Outros beneficiados de São Paulo contatados pelo Estadão encaminharam a mesma mensagem. Para Ibrahim, o Ministério da Educação, que gerencia o programa cedeu o endereço eletrônico dele e de outros bolsistas. "O que mais me revolta é que não são apenas dados como o meu nome e endereço, são os financeiros. Que outros usos podem fazer destes meus dados? Sinto-me como se meus direitos civis não valessem nada para essa administração”, explica.

 

O e-mail, enviado pela campanha do ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) entre 2003 e 2007, tinha como campo de assunto “Mensagens aos Prounistas”. "Aos amigos e amigas bolsistas do ProUni, você é um dos 704 mil estudantes brasileiros que estão mudando o rumo da sua própria história e do nosso país com a oportunidade de se formar no ensino superior a partir do Programa Universidade Para Todos, o PROUNI",

 

O texto também mostra uma mensagem de apoio do presidente Lula a Petta: "Foi um dos melhores presidentes da UNE, sempre lutando para dar mais acesso á (sic) educação para os nossos jovens, pensando no futuro do nosso Brasil".

 

Contatado pela reportagem no início da tarde, Gustavo Petta ainda não respondeu ao pedido de entrevista.

 

MEC

 

A assessoria do MEC declarou, no fim da tarde de hoje, que "Gustavo Petta vai ter de se explicar sobre esse caso. Não se explica. Não demos o mailing do ProUni para ele. Nenhum mailing do MEC está disponível". Para o ministério, uma das explicações para o candidato ter acesso aos dados poderia ser através da UNE, entidade da qual foi presidente. Cerca de 40% dos bolsistas moram no Estado de São Paulo.

 

 

"Esse acesso que a UNE tem é institucional, não poderiam ter feito isso", afirmou o assessor. Petta pode colocar a candidatura em risco e ser impugnado por causa disso". A assessoria também aproveitou para esclarecer que o MEC não tem a declaração de renda para os alunos provarem estão no perfil do programa e que a responsabilidade de inserção dos alunos é das faculdades e universidades.

 

Atualizado às 17h44

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