Candidata petista evita falar em mudanças na TV

Marta ressalta que única novidade é fato de ter ido ao segundo turno

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

09 de outubro de 2008 | 00h00

Diante das preocupações do comando nacional do PT com o desempenho na corrida municipal em São Paulo, a candidata Marta Suplicy esquivou-se ontem de comentar eventuais mudanças na campanha. Repetindo sucessivamente a mesma resposta ao ser indagada sobre eventuais trocas em sua equipe, a ex-ministra admitiu apenas que o simples fato de ter chegado ao segundo turno gera a necessidade de um novo foco. "A mudança que nós temos é que fomos para o segundo turno e a mudança agora é focar nas propostas com um adversário só", afirmou Marta, que ontem escolheu a zona sul da cidade para pedir votos. Diante da insistência dos jornalistas em indagá-la sobre a permanência do comando da campanha e do marqueteiro João Santana, ela apenas repetiu: "A mudança que nós temos é que estamos no segundo turno. E a nossa campanha, agora, foca diferente".Marta voltou a investir ontem na comparação de trajetórias e gestões como parte do esforço para tentar ultrapassar Kassab. Ao comentar suas expectativas para o debate na televisão marcado para o próximo domingo na TV Bandeirantes, a petista disse ver a oportunidade de comparar projetos com o rival. "Acho que vai poder haver um enfrentamento de idéias, posicionamentos, trajetórias. Somos duas candidaturas com trajetórias muito diferentes. A minha tem uma transparência absoluta, sempre fui parceira do presidente Lula, em 30 anos." APOIOS Em mais uma demonstração de que continuará buscando o voto dos eleitores do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), derrotado no último domingo, Marta voltou a mencionar o apoio concedido ao ex-governador Mário Covas, morto em 2001. "Quando eu fui candidata a governadora deste Estado, depois dei o apoio a Mário Covas", afirmou a petista, em referência à disputa de 1998, quando Covas derrotou o hoje deputado federal Paulo Maluf (PP). "Quando fui candidata a prefeita, recebi o apoio de Alckmin e Mário Covas", completou, desta vez referindo-se à eleição de 2000, quando também enfrentou Maluf nas urnas. "Eu estou do lado em que sempre estive, onde trabalho para ter uma diminuição da desigualdade social", continuou a ex-ministra. Marta, que caminhou ontem pelos bairros de Santo Amaro e Jabaquara, voltou a dizer que aposta num discurso propositivo para ganhar todas as camadas da sociedade, inclusive a classe média. Dessa vez, ela citou como exemplo os planos de investir R$ 490 milhões ao ano na expansão da rede de metrô, além da promessa de estender também a rede de corredores de ônibus.Dizendo-se confiante de que vencerá a eleição, Marta afirmou que espera ter nas urnas o resultado de suas propostas para a população carente. "Estou preocupada em ter um metrô de qualidade nesta cidade, que chegue às regiões mais pobres", afirmou a candidata. Desde o início da campanha, Marta tem proposto um traçado próprio para a rede metroviária, que segundo ela chegaria à periferia. A proposta contraria os planos do governo estadual e da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô).

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